blogs x mídia tradicional - ao sul do equador

12 / 09 / 2007   Blogar, internet, mídia* comente esse artigo

Que tal supor o seguinte país: grande área (territorial), ao sul do equador, economia importante (ainda que não entre as 8 maiores), relevância regional e população entre as que mais gosta de navegar pela internet. Ahh, sim, um povo que adora futebol. Fácil, não? Claro que se trata da Austrália. E claro que o esporte é o futebol australiano, uma espécia de rugby para (mais) malucos.

Pois bem, conforme se aproxima a data das eleições um certo clima de hostilidade surgiu entre a mídia tradicional (jornais, revistas, televisão, etc…), personificadas no magnata Rupert Murdoch, - ei, o cara é dono da Fox e eu gosto pacas dos Simpsons - e uma nova mídia, os blogs. O que aconteceu na terra dos marsupiais é o aumento da importância de alguns blogueiros (Mumble, Pollbludger, Possums Pollytics, etc…) nas análises políticas, sobretudo na interpretação de pesquisas de opinião. Murdoch, principal acionista da Newspoll, o ibope de lá, desqualificou os blogs para estas análises. Disse algo como -Nós somos o instituto de pesquisa, apenas nós estamos aptos a analisar os dados. Entre as diversas empresas de Murdoch está o jornal The Australian, um dos principais do país. Também há outras empresas que realizam pesquisas de opinião (Nielsen, Morgan, etc…), quase sempre ligadas a algum veículo de comunicação. O mesmo que ocorre por aqui, “O Globo” encomenda uma pesquisa ao Ibope, “A Folha” ao datafolha, por aí vai.

Como gastaram um belo dinheiro encomendando a sua pesquisa, e obtem os dados antes dos outros veículos, publicam longas reportagens e interpretações das informações que recebem. Interpretações dos dados de UMA pesquisa. Já os blogueiros não encomendaram nada e não possuem compromisso alguns com os institutos, podem “viajar” à vontade pelos números. O resultado é, nos blogs, o constante cruzamento de dados de pesquisas realizadas por diferentes institutos. Entramos na discussão sobre metodologias distintas, dias em que as perguntas foram realizadas e toda a sorte de arugmentos dos dois lados. Mas será que o ponto é realmente análise estatística?

O que nos interessa aqui é que a “nova mídia” vem sendo mais procurada para essas análises do que a mídia tradicional. Se abocanham um pedaço da audiência, cedo ou tarde, vão levar uma fatia do mercado publicitário. Eis a raiva de Murdoch. Convenhamos, não há essa história de “forma alternativa”, há apenas uma luta por audiência.

No Brasil a briga está se resolvendo por outro caminho, os portais associados aos grandes veículos de comunicação buscam ou produzem novo blogueiros (em geral jornalistas) e os abrigam. Exemplos não faltam: Juca Kfouri no uol (grupo folha), Ricardo Noblat no globo, Reinaldo Azevedo na veja (grupo Abril), etc…

Se os 10 ou 20 maiores blogueiros independentes desta Terra Tupiniquinaes se reunissem em um grupo, poderiam ir até as agências de publicidade e buscar partes mais gordas dos orçamentos. -Ei, nós temos 20% da audiência única da internet brasileira todos os meses, vocês não vão anunciar nada?  Uma CooperBlog brigaria de igual para igual. Nesse caso veríamos uma verdadeira guerra blogs x mídia tradicional. Ops, força do hábito. Uma guerra: (eu vou levar esses anunciantes) x (não, eu que vou!)

Como diriam os “Ultraje A Rigor”: -mim gosta ganhar dinheiro!

enviado por Marcos V.

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as meias do soldado romano e o debate sobre blogs no estadão

02 / 09 / 2007   blogosfera, mídia* 9 comentários

atualização: eu sei que não era a Bruna Surfistinha no debate, era pra aparecer entre aspas, uma alusão à profundidade, tipo assim, da participação. Mas faltaram as aspas e portanto crime cometido. O Cardoso sugeriu minha morte lenta por conta disso, provavelmente bem merecida. Apenas um último pedido: mande a própria Bruna pra fazer isso. “Tipo assim”, não a surfistinha pelo amor de Zeus!

atualização 2: eu sou uma besta mesmo, agora ficou mais claro o motivo da confusão, era pra ter saído assim: Bruna “Surfistinha”. É Cardoso, acho que o coisa ruim vem me puxar pelo pé mesmo.

A talent fez para o estadão uma campanha muito bem humorada com o mote “quem está por trás do site que você acha bom?”. Eis algumas fotos. Pois bem, uns tantos blogueiro se sentiram atingidos e começou um rebu tipico dos mundinhos. Qualquer mundinho.

Dado o ti-ti-ti, os caras chamaram alguns “intelectuais”, uns blogueiros, jornalistas e, é claro, a Bruna “Surfistinha” Bruna “Surfistinha” prá debater o tema. - Uma explicação, deixei a Bruna aí no cantinho da frase porque foi essa a posição preferida dela na tertúlia (sem nenhum duplo sentido), ficar de lado. -

Tem gente que já comentou bem esse assunto, os participantes Interney e Merigo, o Cardoso e outros tantos. Nesses textos há um monte de observações sobre técnicas de debates, propostas de comportamente, como repercurtir, etc… Tudo ótimo, mas há houve um consenso no debate (e nos artigos) que me incomodou. Todos concordaram que quase tudo que se produz na blogosfera é lixo. Houve interrupções afirmando que as mídias tradicionais também produzem muito lixo. O Cardoso vai além e diz que 90% do que a mente humana produz é lixo, tese com a qual concordo, e que a blogosfera não seria um nicho de excelência.

Um tal professor da USP, desculpem-me mas não vou voltar à página do debate pra “catar” o nome do sujeito, fez uma piadinha, que deve ter achado muito engraçada afinal repetiu umas cinco vezes, sobre qual seria o interesse do sujeito que posta em seu blog algo sobre suas férias com o cachorro em Florianópolis. E ainda adjetivou a internet de “lixolândia”. Uau, que original! Nunca tinha ouvido essa!

Entre os meus 438 interesses simultâneos está a arqueologia, particularmente o período romano. Há uns anos foi encontrado na inglaterra um acampamento militar de uma divisão bretã dos romanos e, entre os restos estavam os pertences de um soldado. O que provocou grande alvoroço foi uma carta enviada pela esposa na qual contava-se as novidades, pequenas novidades familiares sobretudo, e enviava junto um par de meias para que ele aquecesse os pés. Há ouro arqueo-antropológico aí, ficamos sabendo que havia sim comunicação entre a soldadela e suas famílias, troca de bens, etc…

Agora vamos imaginar que tal carta caísse nas mãos do contemporâneo Virgílio, provavelmente o grande poeta, autor da Eneida consideraria aquilo um lixo. A beleza está nos olhos de quem vê, o chavão está correto. Para os arqueólogos aquilo era algo inédito, para quem viveu em 50 A.C. era o “feijão com arroz”.

-Tá, e a praia em Floripa? Um mundo deste tamanho aproximado pela internet é como a máquina do tempo na carta do soldado romano, o que é trivial pra uns é algo inédito pra outros. O que é lixo lá pode ser ouro pras minhas próximas férias. Um blog contando o dia a dia de uma mulher iraniana pode me mostrar um novo universo.

-Ei, mas você disse que 90% do produzimos é lixo. Está se contradizendo! - É lixo pra mim, pra minha estreiteza.

E pra terminar, parece que vai esfriar, vou dormir de meias.

enviado por Marcos V.

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imprensa

31 / 08 / 2007   mídia, política* comente esse artigo

Lê-se no blog do Reinaldo Azevedo (volto depois):

Zé Dirceu já tem um culpado pelo seu processo: a imprensa.
Lewandowski, o juiz falastrão, já tem um culpado pelas suas trapalhadas: a imprensa.
Os defensores do promotor Tales Ferri Schoedl recomendam: é preciso ignorar a imprensa.
O presidente sabe quem resiste às glórias de seu governo: a imprensa.
Até os puxa-sacos da imprensa sabem onde estão os inimigos: na imprensa.
Quem persegue Renan Calheiros? Ora, é a imprensa.
Pelo exposto, resulta que o verdadeiro mal do Brasil é a imprensa.
Se ela não existisse, seríamos governados pela conspiração dos éticos.

Voltei.

O texto com essa mistura característica de crítica política e bom humor está ótimo, bem ao jeito do autor. O que chama atenção é essa gente (nao o R.A., mas os “éticos”) colocar todos no mesmo balaio. Interessante que Veja e Carta Capital, Globo e Bandeirantes, etc e etc… estejam todos unidos contra os justos e belos. Nesse caso não seriam opostos se atraindo, mas já ajuntados (tá, não resisto a uma aliteração!)

Imparcial, mesmo, deve ser o blog do Zé Dirceu.

enviado por Marcos V.

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