Essa semana, um belo dia pela manhã, abro os portais pra me atualizar (enojar) com as notÃcias, resultados do esporte, etc… Quando vejo uma nota bombástica em destaque: o asteróide Pallas vem em direção à Terra! Sou um viciado em astrofÃsica e por isso sei que o Pallas é um monstrengo com lado maior de 500km. Pra se ter uma idéia o asteróide que teria acabado com os dinassauros tinha 8km no lado maior! Um choque com algo tão grande (como o Pallas) tem a capacidade de “rachar” uma placa tectônica. A erupção gigantesca lançaria tal quantidade de detritos que o planeta entraria em uma fase sombria de milhões de anos. Já houve uma megaerupção dessa na história do planeta, onde hoje fica a sibéria, e destruiu mais de 90% da vida. Enfim se o Pallas se chocar com a Terra, acabou, fim, bau bau.
Mas peraÃ, esse é um dos asteróides mais conhecidos (por ser o segundo maior), não tem como sua rota se desviar dessa forma. Bom, vamos ver na nasa: nada. Na esa: nada. No new york times: nada. No london times: (adivinhou) nada. Só tem no estadão, no uol e no terra? humm estranho. Vou ler a notÃcia novamente.
O link leva para um site chamado mundodaastronomia.com e cita uma tal de “international astronomical center”. PeraÃ, esse negócio não existe. Quem manda em astronomia é a IAU (International Astronomical Union).
Caramba, os portais brasileiros comeram bola e noticiaram algo que não existe?
Claro que a essa altura todos sabemos o desfecho, era uma propaganda. Algum “genial” publicitário teve a idéia de disfarça-la de notÃcia. Algum “estupendo” vp de publicidade de renomada empresa automobilÃstica aprovou. Alguns diretores comerciais de veÃculos de comunicação aprovaram.
Não foi genial, não foi estupendo. Foi ridÃculo. Mas pior do que isso, foi anti-ético. E não estou me referindo à ética babaquinha do bom mocismo. Aqui se trata de mentira, pura e simplesmente. E não adianta dizer que estava descriminado como “publicidade”, porque aparecia de forma muito disfarçada, era necessário procurar por isso para achar. Houve a clara intenção de enganar os leitores.
O CONAR (conselho nacional de auto-regulamentação publicitária) não se manifestou ainda mas já deixou claro que propaganda NÃO PODE ser exibida como notÃcia. Propaganda é propaganda, notÃcia é notÃcia. Isso de tão óbvio parece até frase de jogador de futebol.
-Tá, vc fica quase um mês sem aparecer e vem com essa historinha de propaganda anti-ética? É verdade, caro leitor, mas é que essa historinha me lembra aqueles links de propaganda inseridos no meio do texto e que tantos blogueiros gostam.
Afinal, qual a diferença entre inserir uma propaganda que parece notÃcia e um link que parece notÃcia ou opinião?
Pois é, voltei e continuo, com as minhas galochas, um chato.
enviado por Marcos V.
Tirando o atraso dos blogs que assino, vi um posto no DailyBlogTips sobre anúncios no texto. Como esse é um assunto que tenho discutido com os novos parceiros, acho que merece uma reflexão aqui. Será que vale a pena colocar um anúncio no meio do seu texto? Isso afeta a qualidade da visita do seu leitor? É ético?
Eu me lembro de uma entrevista com o Carlos Nascimento, à época ainda trabalhando na Globo, sobre a cobertura do 11 de setembro, mais especificamente o ataque às torres gêmeas em NY. Na ocasião, ele dizia que a medição de audiência mostrou que mesmo quem estava assistindo a outros canais (e todos, sem exceção, pararam a programação e começaram a cobertura do fato), na grande maioria, mudou para acompanhar a Globo. Por que? Segundo o jornalista, a Globo seria garantia de jornalismo sério. Não vou discutir aqui a qualidade em si do jornalismo da Globo, mas a razão que leva o público a ter essa percepção me interessa.
Como não tenho as pesquisas em mãos só posso intuir, o que é sempre péssimo. Mas um dos motivos deve ser o fato de que não se vê jornalistas das organizações Globo (rádio, tv, jornais, etc…) fazendo propaganda, merchandize, testemunhais (aquele tipo de propaganda em que o jornalista diz -confira como esse molho de tomate é o mais gostoso!), matérias pagas, etc… O público pode até pensar que a Globo em si tenha uma agenda, mas seria editorial, não do jornalista. É muito duro acreditar em quem tem uma etiqueta de preço colada na testa.
E o que isso tem a ver com blogs? Afinal, blogueiros, em geral, não são jornalistas. Estamos mais para “palpiteiros” ou, sendo muito benevolente, colunistas. E não há nada de errado nisso. Há um espaço na web para indicações de links (o blog original era isso), “palpites ao vento”, interpretações de notÃcias, “consultorias”, histórias pessoais, e sabe-se lá mais o quê. Mas mesmo esses palpiteiros precisam de um pouco de credibilidade. Para sobreviver um blog precisa ser uma fonte confiável de informação. A história não pode ser alterada para servir a um determinado fim comercial. Há um comentarista esportivo em São Paulo que, quando era patrocinado pela cervejaria Schincariol, “mudava” o nome do estádio do Palmeiras. Ao invés de dizer Parque Antárctica (nome de um concorrente do patrocinador), chamava de Parque Schincariol. Pode parecer uma brincadeira inofensiva mas na verdade está alterando o conteúdo de uma notÃcia (o nome do lugar onde se deu o fato) para satisfazer um patrocinador (ei, eu não sou palmeirense e isso não é orgulho ferido, não). Esse é o motivo pelo qual sou contra o “paraquedismo”, outro assunto polêmico, engana o leitor. Mas há nos blogs essa outra prática já citada, os anúncios inseridos no meio do texto. Geralmente trazem o sublinhado como uma linha pontilhada e não o traço tradicional. Isso avisa(ria?) ao leitor que se trata de um anúncio e não de um link relacionado ao contexto da informação.
Tenho discutido com os blogs que entram no kabunzo se isso é aceitável ou não. Ainda não tenho uma opinião “genérica”, como no caso do paraquedismo. Mas há um caso em que essa prática não é aceitável e outro onde vamos experimentar.
O blog do site dermatologia não terá anúncios inseridos no meio do texto. Os artigos postados lá são informações médicas sérias e devem seguir o código de conduta (ética) dos médicos, ou seja, quando a Dra. Érica escreve um texto para o blog não pode ser influenciada por nada além da qualidade e independência da informação. Seria ruim para o leitor acreditar que o link [de propaganda] para um produto é uma indicação médica. Os anúncios que aparecem lá não estão misturados ao texto mas à volta dele, claramente diferenciados como anúncios. Não dá para ter dúvidas.
Já o blogóide é uma outra história. É um site de notÃcias falsas (algumas são tão absurdas que até poderiam ser verdadeiras), besteirol mesmo: fotomontagens, colagens, pÃadas, etc… Tudo lá ou é inventado ou é o ridÃculo da vida exposto. Não há informações que sejam relevantes para nada além de lazer. Nesse caso os links no meio de texto poderão ser usados.
Esse é o critério que resolvemos utilizar, por enquanto. Quando um blog fornece informações “sérias” não haverá anúncios no meio do texto. O leitor poderá ter certeza que o conteúdo foi pensado para ser bom na sua qualidade, e não bom vendedor. Já nos blogs de entretenimento a coisa muda de figura. Nesse caso não há credibilidade a ser mantida e o anúncio não interfere na qualidade da visita.
Claro que o argumento sempre será -ei, eu coloco os anúncios mas isso não interfere na qualidade da informação no meu texto! . Pode até ser, mas dependendo do tipo de informação vou ficar com o que dizia o ditador Romano Júlio César sobre sua mulher: -A mulher de César não deve apenas ser honesta, deve também parecer honesta.
Argumentos dos dois lados serão sempre bem vindos.
enviado por Marcos V.
recebi uma mensagem perguntando se não vou comentar o relatório da technorati sobre o “estado da blogosfera”. Ainda não, por uma razão que considero ehmmm… razoável. O resumo do relatório pode ser lido nos canais de tecnologia dos portais e nas revistas info da vida. O que eu quero é trazer o que normalmente não vem nas manchetes mas que é igualmente interessante. Vou dar um exemplo com um fato apresentado no relatório da Edelman (em conjunto com a technorati) do ano passado. Não é notícia fresca mas acho improvável que alguém tenha lido na grande mídia, eu não vi. Vamos ao caso.
Blogs no japão são um fenômeno muito maior que em qualquer outro lugar, o relatório de 2006 indica 33% dos posts no mundo em japonês (no de 2007 já há mais posts em japonês do que em inglês), isso é impressionante porque são menos de 130 milhões de falantes de japonês no mundo contra mais de 1 bilhão falando inglês e só os EUA possuem o dobro de internautas do Japão -e dai? essa informação tá em todo lugar- eu sei, eu sei, já vou ao caso que interessa. No meio do relatório há uma série de consultores de cada país comentando os dados. No do Japão, Takashi Kurosawa, consultor local da Edelman, fala sobre blogs corporativos e conta que empresas como Nissan, Sharp e Nike foram bem sucedidas na utilização dos blogs como ferramenta de marketing. Eis que a Sony resolve dar o pulo do gato. Quando lançou o MP3 Walkman, alguém surgiu com uma idéia genial: que tal criar um blog de uma garota, Pinky, contando suas aventuras e desventuras, sempre com o aparelhinho no meio das histórias. Não fui irônico, não, achei a idéia muito boa mesmo. O problema é que os leitores começaram a desconfiar das discrepâncias nos posts e logo ficou claro que não havia Pink alguma e era o próprio pessoal da Sony que alimentava a página. Uma informação preciosa que a companhia não conseguiu manter em segredo.
Vamos divagar um pouco. Que tal se a Sony contratasse uma bela estudante, com aquele sorriso gracioso típico das japonezinhas e, discretamente, bancasse as aventuras dela pelo país e mundo. Sempre, claro, com os fones no ouvido. Daria pra incluir vídeo, fotos, sons, etc… não tenho a menor dúvida que seria uma peça de marketing das mais bem sucedidas. Faltou apenas uma coisa ao projeto original: veracidade.
As pessoas até aguentam uma verdade xoxa, mas ficção travestida de verdade geralmente causa revolta. E nos blogs, principalmente os corporativos, a mentira tem pernas curtíssimas.
Em alguns dias volto com o relatório desse ano.
enviado por Marcos V.
Antes que alguém pense que eu tô maluco, acho melhor me explicar. Não tenho nada contra os bons anunciantes, tenho é muito a favor, só não quero os maus anúncios. Se um bom anunciante possui um mau anúncio, que prejudica o meu o CTR (porcentagem de clicks) da página, é melhor bani-lo.
Não vou dar nome aos bois porque acredito ser contra as normas do google adsense, mas dá pra explicar bem o que tá acontecendo.
Dos blogs que gerencio, o que tem melhor resposta apresenta um CTR em torno de 8,5%. É bastante alto, principalmente porque o número é real e não aqueles exercÃcios deturpados do pessoal que vende e-books sobre "como faturar milhoes com seu blog em apenas uma semana". É uma página bastante limpa, o único ponto de anúncio está na barra lateral em um quadrado com duas entradas apenas em uma caixa, parecida com aquelas do google, de 200×200 pixels. Pois bem, na última semana o CTR caiu para 5,5%. Alerta geral! O que está acontecendo? Comecei a acompanhar os anúncios e descobri que um deles SEMPRE se mantinha em primeiro lugar. O anunciante resolveu jogar pesado no leilão do adwords e, sem querer, acabou me prejudicando.
Uma das mágicas dos anúncios de texto é a rotatividade, o usuário vê sempre algo diferente e uma hora encontra algo interessante. Se o anúncio não muda a tendência é ser ignorado, vira um "enfeite" da página, sem condições de competir com o conteúdo. Foi o que aconteceu no caso acima. Só lembrar que eu disse "se o anúncio não muda…", o anunciante pode ser sempre o mesmo. Sei disso porque já fiz diversas experiências em sites meus, mudo apenas o anúncio, o destino continua sendo o mesmo. Isso mantém a taxa de clicks e a de vendas efetivas como retorno desses clicks. Não é, também, o caso do anúncio citado, o texto é uma droga.
Imagine que eu queira fazer um anúncio do webcétera e crie a maravilha a seguir:
TÃtulo: webcétera
Texto: um blog sobre internet.
É horrÃvel e pobre porque é genérico demais, apesar de não ser mentira não diz muito do que o usuário irá encontrar. Agora imagine essa porcaria o tempo todo representando 50% dos anúncios do seu blog. É de fazer chorar. O resultado? bani o cliente no adsense. Fiz isso ontem à noite e hoje o CTR se recuperou um pouco, já voltou a 6,5%.
A princÃpio parece o melhor dos mundos, um anunciante que compra todas as palavras mais importantes do seu blog e paga caro por isso, mas nesse caso é melhor olhar os dentes do cavalo dado. Os anunciantes "mais baratinhos" podem representar um melhor negócio.
E pra fechar (continuando) no mote equestre: antes burro que me carregue do que cavalo que me derrube.
enviado por Marcos V.
Com essa história de SEO, assunto que comecei a abordar aqui no blog, algumas práticas comuns viraram moda. Entre elas, e é realmente um dos pontos mais importantes pra estar bem ranqueado nos sites de busca, o objetivo de muitos SEOs passou a ser conseguir links a partir de sites importantes. O link a partir de um site bem ranqueado vale muito para aumentar o rank de outro. Criou-se o comércio de links e o troca-troca. O primeiro é simples, paga-se para um site colocar um link apontado para o seu site ou blog, o segundo é "gratuito", -coloca aà no seu que eu coloco aqui no meu-
O Edney vem tratando de troca de links no blog dele e o Cardoso também já publicou link não é esmola. Poderia citar vários outros artigos de uma infinidade de blogueiros a respeito, a maior parte deles discutindo a parte social dos links. Mas vamos voltar ao ponto que me interessa agora, SEO.
Que a experiência de montar a Vecom tem sido de outro mundo nem preciso dizer, sair com um site de busca do zero (ainda que parte de base de dados de páginas seja comprada) me levou a ter que pensar em uma série de fatores. Um dos principais é como ranquear os sites. Por que um site merece estar em uma posição melhor do que o outro na sua busca? Entre os mais de 100 fatores que hoje explicam esse ranqueamento, tem um que é muito negligenciado nos artigos sobre SEO, os links que SAEM do seu site, e é fácil entender a importância disso.
O que um sistema de busca quer te entregar como resultado de uma pesquisa é uma lista de endereços com conteúdo relacionado (o melhor possÃvel) com o elementa da busca. Se o seu site apresenta uma lista de links com conteúdos que também são bem ranqueados para o assunto no qual você é mais forte, isso indica que pode se tratar de uma página de referência para o assunto. Para mim, como administrador de um site de busca, é sopa no mel! Listado a sua página eu envio o meu cliente, internauta em um site de busca, para um endereço que aborda, através de links, vários aspectos do assunto. Legal! Consegui uma boa resposta.
Portanto, ao linkar pra fora, você aumenta o valor do seu site. Simples e não exige contrapartida de ninguém. -Ah, mas eu vou perder as visitas porque o internauta vai embora. Até isso é discutÃvel. O mais provável é que você se torne referência para o assunto, atrainda cada vez mais um público afinado com o seu conteúdo e, por isso mesmo, mais propenso a clicar nos seus anúncios (que também são relacionados ao assunto da página).
Atenção, há mais dois fatores que procuramos.
- Links circulares: uma série de endereços que se ligam e a mais ninguém. Não contam pontos.
-
Links demais: se o seu site tem links demais é bem possÃvel que perca pontos, pois pode ser uma tentativa de ludibriar os sistemas de busca. Eu, por exemplo, tenho na minha página de links o blog do Bruno Alves (quebrei a regra porque não lembro o sobrenome) porque falamos de assuntos próximos., mas não tenho nada apontando para um blog sobre borboletas da Tasmânia.
A melhor solução para os dois casos não é uma lista de links em todas as páginas, mas em cada post (para um blog, por exemplo), colocar links relacionados. É simples, barato, ético e funciona.
enviado por Marcos V.
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