A Nielsen, maior empresa de pesquisas do mundo, um “Ibope” de abrangência global, resolveu perguntar aos internautas do mundo se eles pagariam por conteúdo online de notícias e entretenimento. A resposta surpreendeu muita gente: nem sim, nem não, mais para um “depende”. Veja o gráfico abaixo:

Grafico: porcentagem de usuários que pagariam por conteudo online
Pagar ou não pagar, eis a questão:
A pesquisa foi realizada com 27.000 internautas de 52 países. Claro que a imensa maioria (85%) prefere que o conteúdo continue gratuito, mas aceitam pagar se for algum produto de alta qualidade, como filmes, seriados, música e jogos dos principais estúdios e produtores. Mas por um conteúdo de produção mais barata e caseira, como o gerado por outros internautas, a tendência é simplesmente procurar por algo equivalente e ainda gratuito.
Lei da compensação
Ainda segundo a pesquisa, a maioria dos internautas concorda que um conteúdo, para merecer ser pago, deve atender a determinadas condições.:
- 78% dos entrevistados acreditam que suas assinaturas de produtos offline (revistas, jornais, tv a cabo,…) devem fornecer acesso ao conteúdo online sem custo adicional.
- 71% afirmou que pagariam por um conteúdo apenas se ele fosse muito superior a um equivalente gratuito.
- 79% não utilizariam mais um serviço online que começasse a cobrar. Esse grupo iria procurar por um equivalente gratuito.
- 62% afirmam que caso efetuassem uma compra, deveriam ser livres para copiar ou compartilhar o conteúdo.
Não há consenso se a qualidade do conteúdo sofrerá danos caso as empresas não consigam cobrar por seus serviços: 34% acreditam que sim, enquanto 30% afirmam que não; os 36% restantes não possuiam opinião formada sobre o assunto.
Apesar de crescer entre as empresas a noção de que só é possível obter lucro considerável, ou mesmo o mínimo necessário para operar, cobrando pelos serviços, não há consenso sobre o melhor modelo a ser seguido. As empresas estão experimentando diversas alternativas, da assinatura às compras individuais e alguns modelos intermediários. Um pouco mais da maioria dos entrevistados (52%) dizem preferir compras individuais, apesar de algumas dificuldades de implementar a fase de cobrança desse modelo. Ainda, 43% afirmaram que um método de pagamento mais fácil facilitaria a decisão de efetuar uma compra.
Na briga entre conteudo gratuito com anúncios e conteudo pago sem anúncios, surgiu o modelo intermediário: conteúdo pago com alguns anúncios. Ainda que 47% dos internautas aceitam mais propagando do que há hoje para subsidiar conteúdo gratuito, mostrando boa relação com os anúncios, 64% não querem anúncios em nenhum conteúdo pelo qual pagaram.
E você, pagaria por conteúdo online? Se sim, por que tipo de conteúdo? Deixe seu comentário.
enviado por Marcos V.
O assunto do momento entre os “mídias”, nome auto-dado a quem estuda comunicação, publicidade, etc… é uma pesquisa da Price Waterhouse que constatou que 62% dos internautas estão dispostos a pagar por conteúdo online. Alguns grandes jornais, como o Sunday Times, segundo o próprio dono do jornal, o bilionário australiano Ropert Murdoch, cogita cobrar pela informação em seu novo site. O Washington Post nunca saiu desse modelo, seu site foi, ainda é e deve permanecer cobrando pelo acesso. o The New York Times, já foi pago, virou gratuito e cogita voltar a ser pago.
No Brasil
Por aqui os três maiores jornais impressos do país seguem o mesmo modelo de negócio.
O Estado de São Paulo adota o modelo mesclado, cobra pelo acesso a algumas notícias e editoriais em seu site (apenas notícias da vesão impressa e ao custo de R$ 29,90/mensais), mas com acesso livre para assinantes da versão impressa.
A Folha de São Paulo também segue essa linha, os assinantes da versão impressa ou do UOL (o controle acionário do portal é do Grupo Folha) podem ler as notícias da versão impressa, os demais internautas apenas da versão online.
E finalmente O Globo, cobra R$ 35,90 pela versão digital. Nos três casos, o assinante também possui acesso ao “histórico” do jornal.
Um modelo diferente foi o da Editora Abril para a revista semanal Veja, o acesso online à edição atual é restrito aos assinantes, todo o resto, incluindo o arquivo de edições, está liberado.
Quem vai bem com o modelo pago?
Até agora, quem vai bem com o modelo pago são os sites que fornecem informações muito valiosas a poucos usuários. Dois dos exemplos mais famosos são a Bloomberg e o The Wall Street Journal. Mas é interessante notar que boa parte do conteúdo de noticiário está liberado. O que é (bem) pago são entrevistas, análises e, claro, as informações do mercado financeiro, especialidade das duas instituições. Pelas últimas informações liberadas pelos controladores, os dois negócios vão muito bem, obrigado, mesmo nesse período de crise internacional.
Por que insistir no pago?
Os grandes grupos de informação dizem que não é possível fornecer um material de alta qualidade apenas com a receita publicitária. Segundo eles, o custo de obtenção da informação (jornalistas, viagens, equipamentos, backoffice, etc…) é muito alto, proibitivo mesmo, tornando a operação inviável.
Sinceramente, isso é muito estranho. Certamente não existe nenhuma operação de internet é mais cara que o Google. Acredita-se que o líder absoluto das buscas na internet possua centenas de milhares de pequenos servidores e links na casa dos terabits. São milhares de funcionários e boa parte deles dedicados apenas às inovações de amanhã, ou seja, muita gente trabalhando em algo que possivelmente nunca irá pro ar. Então como sobrevive e obtem seus gordos lucros? O Google, e também o Yahoo! foram capazes de montar eficientes sistemas para a venda de anúncios online. Curiosamente os dois sites são especialistas nos opostos do espectro de anúncios: o Google tem a frente no varejão e o Yahoo! nos anúncios Premium.
Além dos dois há muitas outras redes de anúncios surgindo e se estabelecendo, todas apostando em conteúdo gratuito, afinal, é esse tipo que fornece o maior número de visitas, consequentemente o maior número de cliques e renda. Pra quem não sabe, nessa modalidade de negócio (geralmente) a anunciante só paga quando seu anúncio é clicado, e o veículo, que pode ser um blog como esse, só recebe nessa mesma situação, quando o anúncio é clicado.
Conclusão
A conclusão com maior probabilidade de estar correta é que estamos em um momento de transição do modelo de arrecadação com anúncios, e quem não entender o novo mecanismo ficará pra trás, quem sabe até lidando com o fim do próprio negócio. É muito cômodo aos grandes grupos dizer que não é viável viver apenas de propaganda (quando sabemos que sim, é possível, ou ninguém mais lembra que a TV aberta SEMPRE viveu apenas disso?) . Mais difícil e provavelmente mais eficiente a longo prazo, seria construir parcerias e equipes de vendas mais agressivas e/ou sintonizadas com os novos tempos.
Apenas como nota final, muito se diz que os blogs não seriam competição para os “jornaizões” por não terem equipe ou buscarem a notícia no lugar real. Cada vez menos verdadeira essa visão, há vários blogs com equipes PAGAS e até mesmo enviados. É como disse, apenas são mais enxutos nos custos e eficientes na hora de vender seus espaços publicitários.
enviado por Marcos V.
Você conhece o Décio? E o irmão do Décio? Sorte sua se a resposta for sim, porque eu não conheço nenhum dos dois, apenas o blog do segundo, diga-se de passagem, um SENHOR blog! O irmão do Décio também é conhecido (para os que, ao contrário de mim, o conhecem) como Du Oliveira. É uma artista gráfico raro no mercado (mundial), daqueles de entender as ferramentas de trabalho, ter a aptidão artística e o conhecimento técnico para desenhar obras de arte automotivas.
Já imaginou como ficaria uma Rural Willys nos dia de hoje? O irmão do Décio, ops, o Du Oliveira se deu a esse trabalho. O resultado é essa beleza da imagem abaixo:

Nova Rural na visão do Du Oliveira
Não se engane, não é uma foto, mas um desenho feito no computador. Pois bem, Entre os carros que sofreram “releitura” estavam vários da VW. O que aconteceu está relatado no blog, ele recebeu uma notificação extra-judicial do departamento jurídico da montadora alemã aqui no Brasil. Se a empresa tivesse o MÍNIMO de bom senso mandaria uma carta agradecendo o carinho que ele tem com os carros da marca, seus desenhos e, por que não?, convidando para algum evento. Mas não os manda-chuvas do lugar, eles “pediram” que fossem retirados TODOS os desenhos de carros da VW ou entrariam com ação judicial contra o artista. Preste atenção, não houve contanto nenhum, de cara o sujeito recebeu um calhamaço de 25 páginas assinado por um “exército de advogados alemães e brasileiros”, nas palavras do próprio Du. Sim, ele retirou todas as imagens de carros da marca e já disse que também retirou a possibilidade de possuir um VW no futuro.
Repare bem, alguém presta uma homenagem a uma marca, com um trabalho 100% original e é cassado.
A história foi parar em vários blogs, entre eles o do jornalista Flávio Gomes, que contou sobre sua indignação com o ocorrido. O blog do FG é um dos mais lidos do país e, consequentemente, um dos principais pra quem curte carros e automobilismo. A história repercurtiu (principalmente na blogosfera) com artigos e posts pipocando aqui e ali. Pois bem, deu no site da Quatro Rodas que a VW admitiu seu engano e que o trabalho do designer em nada prejudica a marca. Cá entre nós, isso é eufemismo: o trabalho dele PROMOVIA a marca.
Mas por que a empresa voltou atrás (puxa vida, tenho que escrever um artigo sobre “voltar atrás”)? Não tenho a menor dúvida em afirmar que foi a repercussão negativa do episódio. Sim, foram os foruns, blogs e sites e todas as opiniões negativas sobre a empresa que mudaram isso. Começa a acontecer no Brasil algo que já é constante nos EUA, as opiniões emitidas em um grande número de blogs é tão importante para uma marca quanto aquelas veículadas pela mídia tradicional (jornais, revistas, rádio, tv).
A VolksWagen descobriu que não vale a pena estra contra todos na blogosfera.
enviado por Marcos V.
Essa semana, um belo dia pela manhã, abro os portais pra me atualizar (enojar) com as notÃcias, resultados do esporte, etc… Quando vejo uma nota bombástica em destaque: o asteróide Pallas vem em direção à Terra! Sou um viciado em astrofÃsica e por isso sei que o Pallas é um monstrengo com lado maior de 500km. Pra se ter uma idéia o asteróide que teria acabado com os dinassauros tinha 8km no lado maior! Um choque com algo tão grande (como o Pallas) tem a capacidade de “rachar” uma placa tectônica. A erupção gigantesca lançaria tal quantidade de detritos que o planeta entraria em uma fase sombria de milhões de anos. Já houve uma megaerupção dessa na história do planeta, onde hoje fica a sibéria, e destruiu mais de 90% da vida. Enfim se o Pallas se chocar com a Terra, acabou, fim, bau bau.
Mas peraÃ, esse é um dos asteróides mais conhecidos (por ser o segundo maior), não tem como sua rota se desviar dessa forma. Bom, vamos ver na nasa: nada. Na esa: nada. No new york times: nada. No london times: (adivinhou) nada. Só tem no estadão, no uol e no terra? humm estranho. Vou ler a notÃcia novamente.
O link leva para um site chamado mundodaastronomia.com e cita uma tal de “international astronomical center”. PeraÃ, esse negócio não existe. Quem manda em astronomia é a IAU (International Astronomical Union).
Caramba, os portais brasileiros comeram bola e noticiaram algo que não existe?
Claro que a essa altura todos sabemos o desfecho, era uma propaganda. Algum “genial” publicitário teve a idéia de disfarça-la de notÃcia. Algum “estupendo” vp de publicidade de renomada empresa automobilÃstica aprovou. Alguns diretores comerciais de veÃculos de comunicação aprovaram.
Não foi genial, não foi estupendo. Foi ridÃculo. Mas pior do que isso, foi anti-ético. E não estou me referindo à ética babaquinha do bom mocismo. Aqui se trata de mentira, pura e simplesmente. E não adianta dizer que estava descriminado como “publicidade”, porque aparecia de forma muito disfarçada, era necessário procurar por isso para achar. Houve a clara intenção de enganar os leitores.
O CONAR (conselho nacional de auto-regulamentação publicitária) não se manifestou ainda mas já deixou claro que propaganda NÃO PODE ser exibida como notÃcia. Propaganda é propaganda, notÃcia é notÃcia. Isso de tão óbvio parece até frase de jogador de futebol.
-Tá, vc fica quase um mês sem aparecer e vem com essa historinha de propaganda anti-ética? É verdade, caro leitor, mas é que essa historinha me lembra aqueles links de propaganda inseridos no meio do texto e que tantos blogueiros gostam.
Afinal, qual a diferença entre inserir uma propaganda que parece notÃcia e um link que parece notÃcia ou opinião?
Pois é, voltei e continuo, com as minhas galochas, um chato.
enviado por Marcos V.
Tirando o atraso dos blogs que assino, vi um posto no DailyBlogTips sobre anúncios no texto. Como esse é um assunto que tenho discutido com os novos parceiros, acho que merece uma reflexão aqui. Será que vale a pena colocar um anúncio no meio do seu texto? Isso afeta a qualidade da visita do seu leitor? É ético?
Eu me lembro de uma entrevista com o Carlos Nascimento, à época ainda trabalhando na Globo, sobre a cobertura do 11 de setembro, mais especificamente o ataque às torres gêmeas em NY. Na ocasião, ele dizia que a medição de audiência mostrou que mesmo quem estava assistindo a outros canais (e todos, sem exceção, pararam a programação e começaram a cobertura do fato), na grande maioria, mudou para acompanhar a Globo. Por que? Segundo o jornalista, a Globo seria garantia de jornalismo sério. Não vou discutir aqui a qualidade em si do jornalismo da Globo, mas a razão que leva o público a ter essa percepção me interessa.
Como não tenho as pesquisas em mãos só posso intuir, o que é sempre péssimo. Mas um dos motivos deve ser o fato de que não se vê jornalistas das organizações Globo (rádio, tv, jornais, etc…) fazendo propaganda, merchandize, testemunhais (aquele tipo de propaganda em que o jornalista diz -confira como esse molho de tomate é o mais gostoso!), matérias pagas, etc… O público pode até pensar que a Globo em si tenha uma agenda, mas seria editorial, não do jornalista. É muito duro acreditar em quem tem uma etiqueta de preço colada na testa.
E o que isso tem a ver com blogs? Afinal, blogueiros, em geral, não são jornalistas. Estamos mais para “palpiteiros” ou, sendo muito benevolente, colunistas. E não há nada de errado nisso. Há um espaço na web para indicações de links (o blog original era isso), “palpites ao vento”, interpretações de notÃcias, “consultorias”, histórias pessoais, e sabe-se lá mais o quê. Mas mesmo esses palpiteiros precisam de um pouco de credibilidade. Para sobreviver um blog precisa ser uma fonte confiável de informação. A história não pode ser alterada para servir a um determinado fim comercial. Há um comentarista esportivo em São Paulo que, quando era patrocinado pela cervejaria Schincariol, “mudava” o nome do estádio do Palmeiras. Ao invés de dizer Parque Antárctica (nome de um concorrente do patrocinador), chamava de Parque Schincariol. Pode parecer uma brincadeira inofensiva mas na verdade está alterando o conteúdo de uma notÃcia (o nome do lugar onde se deu o fato) para satisfazer um patrocinador (ei, eu não sou palmeirense e isso não é orgulho ferido, não). Esse é o motivo pelo qual sou contra o “paraquedismo”, outro assunto polêmico, engana o leitor. Mas há nos blogs essa outra prática já citada, os anúncios inseridos no meio do texto. Geralmente trazem o sublinhado como uma linha pontilhada e não o traço tradicional. Isso avisa(ria?) ao leitor que se trata de um anúncio e não de um link relacionado ao contexto da informação.
Tenho discutido com os blogs que entram no kabunzo se isso é aceitável ou não. Ainda não tenho uma opinião “genérica”, como no caso do paraquedismo. Mas há um caso em que essa prática não é aceitável e outro onde vamos experimentar.
O blog do site dermatologia não terá anúncios inseridos no meio do texto. Os artigos postados lá são informações médicas sérias e devem seguir o código de conduta (ética) dos médicos, ou seja, quando a Dra. Érica escreve um texto para o blog não pode ser influenciada por nada além da qualidade e independência da informação. Seria ruim para o leitor acreditar que o link [de propaganda] para um produto é uma indicação médica. Os anúncios que aparecem lá não estão misturados ao texto mas à volta dele, claramente diferenciados como anúncios. Não dá para ter dúvidas.
Já o blogóide é uma outra história. É um site de notÃcias falsas (algumas são tão absurdas que até poderiam ser verdadeiras), besteirol mesmo: fotomontagens, colagens, pÃadas, etc… Tudo lá ou é inventado ou é o ridÃculo da vida exposto. Não há informações que sejam relevantes para nada além de lazer. Nesse caso os links no meio de texto poderão ser usados.
Esse é o critério que resolvemos utilizar, por enquanto. Quando um blog fornece informações “sérias” não haverá anúncios no meio do texto. O leitor poderá ter certeza que o conteúdo foi pensado para ser bom na sua qualidade, e não bom vendedor. Já nos blogs de entretenimento a coisa muda de figura. Nesse caso não há credibilidade a ser mantida e o anúncio não interfere na qualidade da visita.
Claro que o argumento sempre será -ei, eu coloco os anúncios mas isso não interfere na qualidade da informação no meu texto! . Pode até ser, mas dependendo do tipo de informação vou ficar com o que dizia o ditador Romano Júlio César sobre sua mulher: -A mulher de César não deve apenas ser honesta, deve também parecer honesta.
Argumentos dos dois lados serão sempre bem vindos.
enviado por Marcos V.
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