Já escrevi sobre isso, mas não custa lembrar as benesses da democracia. Mais um blogueiro foi preso, dessa vez na Arábia Saudita. Eis um trecho de uma carta aberta que escreveu pouco antes da prisão. Há pequenas intervenções minhas para que o pedaço abaixo faça sentido. O original em inglês seguido de uma versão em português:
The issue that caused all of this is because I wrote about the political prisoners here in Saudi Arabia and they think I’m running a online campaign promoting their issue. All what I did is wrote some pieces and put side banners and asked other bloggers to do the same.
he asked me to comply with him and sign an apology. I’m not sure if I’m ready to do that. An apology for what? Apologizing because I said the government is liar when they accused those guys to be supporting terrorism?O que causou tudo isto [ a ordem de prisão ] foi o que escrevi sobre prisioneiros políticos aqui na Arábia Saudita, eles [ o governo ] pensam que estou em capanha para promover a causa [ dos presos ]. Tudo o que fiz foi escrever alguns artigos e colocar alguns banners [ pedindo a liberação ] e pedindo a outros blogueiros que fizessem o mesmo. Ele [ o ministro do interior ] solicitiou que eu cooperasse e escrevesse um pedido de desculpas. Não creio que estou preparado para isso. Desculpar-me pelo que? Pedir desculpas porque disse que o governo mente quando acusa essas pessoas de ajudarem o terrorismo?
Não estou defendendo o blogueiro ou seus textos. Não leio árabe, nunca havia ouvido falar dos prisioneiros, não sei quais suas causas, atos, métodos ou motivação. Tão pouco sou um especialista em política internacional/exterior. Não pense, por favor, que com isso digo ser imparcial. Não sou imparcial, sou radicalmente a favor da liberdade de expressão. Só ela não é suficiente para a vida plena, mas não há vida plena sem ela. Se Fouad al-Farhan foi preso por manifestar-se, vive em uma ditadura.
Esse é (o perigo da ditadura) o motivo pelo qual já me manifestei antes, várias vezes, contra QUALQUER tipo de controle da mídia. A mídia deve ser auto-regulamentada, se alguém se sentiu invadido, caluniado, chantegeado ou seja o que for por um órgão de imprensa, pessoa, papagaio, etc… o lugar para resolver a questão é no poder judiciário, nunca no executivo. O executivo, como diz o nome, executa. Se serão ordens e diretivas (as executadas) ou pessoas, depende do que defendemos agora quando temos (alguma) democracia.
É quase uma relação esquizofrênica, abomino os lulista lambe-botas que tentam desde o primeiro dia de governo instalar algum tipo de controle. Enoja-me qualquer “jornalista responsável” que pede uma imprensa imparcial. Sem lado desde que penda para o lulismo. Na verdade pedem uma imprensa lambe-botas.
Mas abomino ainda mais tirar, dos puxa-sacos, o direito de manifestar-se contra o estado de direito.





