A Uniban está esfolada viva. Há até vídeos parodiando a situação com o nazismo. Nele, Hitler e seus asseclas sentem-se “humilhados” ao sofre comparação com a tal Universidade Bandeirantes. Mas como isso foi acontecer com a marca Uniban? Simples, um tal de youtube. Um tal de twitter e uns tais de blogs, orkuts e equivalentes. Mas nada é tão ruim que não possa piorar, não é mesmo? Pois bem, algum conselho de “dotores” resolver expulsar a moça que quase foi esfolada viva. Pra não mencionar as intenções de crime sexual. Repete-se assim a cantinhola das massas ignorantes (isso em uma universidade?!) que prega ser a vítima culpada das agressões. Os réus, aquela massa de covardes, são apenas executores de um destino que a tal moça do vestido curto cavou para si. Isso em uma universidade?!
Enfim, há posts e artigos e tudo o mais sobre o caso, não preciso ir aos detalhes. O que me interessa aqui é a marca Uniban. Convenhamos, já era. Os alunos com bom senso que lá estudam estão revoltados, assistem incrédulos à derrocada de seus investimentos em um curso superior. Sabem que por um bom tempo, sempre que apresentarem seu diploma da Uniban, ouvirão algo como “-ahh, aquela da moça do vestido curto!”. Se não com as orelhas, “ouvirão” na fisionomia do interlocutor. Há algo que se possa fazer? Bem, até há.
Primeiro, dar um jeito na bagunça. Readimitir a moça como estudante deve ser o primeiro passo. Identificar tantos agressores quanto possível (há imagens de sobra pra isso) e aplicar punição DURA, seria outra. O sujeito que aparece pendurado no vidro da sala onde Geyse está abrigada, se balançando como um King Kong no cio, esse sim, deveria ser expulso.
Segundo, muito trabalho de mídia. Vídeos de ações de inclusão ajudam. Claro, não chegarão a arranhar a visitação do “vídeo da loira da Uniban”, mas é o começo da reconstrução. Entrevistas e posicionamentos em sites e blogs. Mas pelo amor de Zeus, com gente que não escreva notas preconceituosas. A que justificava a exclusão da moça achei que era uma brincadeira. Inacreditável que uma universidade publique aquilo (uma universidade?!).
Terceiro, nas duas ações anteriores, fazer o “mea-culpa”. Demonstrar humildade como forma de superioridade.
Agora, o que é realmente inacreditável nessa história toda, é o despreparo completo em lidar com essas novas mídias. Essas que não dependem de assessoria de imprensa, até porque não lêem esse tipo de coisa. Essas que não se influenciam ou não por perder anunciantes, os anúncios do google adsense continuam aparecendo. O tal marketing de redes sociais não é um bixo de sete cabeças, é apenas OUTRO bixo de sete cabeças. (Sim, biXo).
Claro, vamos atestar o óbvio. Geyse foi fisicamente protegida (também, só faltava joga-la aos estupradores em potencial!), mas não moralmente. A Uniban quis deixá-la aos estupradores morais e acabou sendo ela, Uniban, identificada como algoz. Em um novo cenário, a Uniban protege a moça e depois leva ao ministério público tantas informações quanto legalmente possível sobre os “loucos” que a perseguiram. Com a escalada do fato nas mídias diversas, faz inserções dizendo que jamais aceitará esse tipo de comportamente, os dos agressores em potencial, dentro de seus quadros ou instalações.
Daria um recado interno aos seus alunos (-Jamais aceitaremos que isso se repita) e um externo, ao mercado: -Somos uma universidade, um local para discussão e tolerância.
Mas, agora que Inês é morta (felizmente Geyse ainda é vivente), terão que recuperar o prejuízo. Viva o marketing de redes sociais.
Está se tornando uma tradição por aqui que eu apresente as estatísticas sobre internet, navegação, sites de busca, etc… Pois bem, para não fugir à regra, vamos aods dados da pesquisa da comScore sobre os sites de busca mais acessados da internet.
O que mais chama a atenção não é a liderança do Google, disso todo o mundo já sabe, mas que empresa californiana ampliou essa liderança, com um crescimento de 58% na comparação entre julho de 2008 e julho de 2009. Enquanto isso o mercado global de buscas aumentou em 41% e chegou à incrível marca de 113 bilhões de buscas por mês!
Outros sites que se saíram bem no período foram o Bing, a nova ofensiva da Microsoft contra o Google, o Yandex, site líder em buscas na Rússia, e o Ask.com. Entre os grandões, o único negativo continua sendo a AOL, em seu longo e derradeiro percurso rumo ao anonimato. Decepção também para os números do Yahoo!, crescimento de apenas 2% enquanto o mercado aumentou 41% é um resultado pra lá de ruim.
Abaixo, os dados da pesquisa. Ao ler, não se esqueça que as buscas estão em milhões, o que significa que o Google em julho de 2009 realizou 76,6 Bilhões de buscas…

ranking dos sites de busca
O assunto do momento entre os “mídias”, nome auto-dado a quem estuda comunicação, publicidade, etc… é uma pesquisa da Price Waterhouse que constatou que 62% dos internautas estão dispostos a pagar por conteúdo online. Alguns grandes jornais, como o Sunday Times, segundo o próprio dono do jornal, o bilionário australiano Ropert Murdoch, cogita cobrar pela informação em seu novo site. O Washington Post nunca saiu desse modelo, seu site foi, ainda é e deve permanecer cobrando pelo acesso. o The New York Times, já foi pago, virou gratuito e cogita voltar a ser pago.
No Brasil
Por aqui os três maiores jornais impressos do país seguem o mesmo modelo de negócio.
O Estado de São Paulo adota o modelo mesclado, cobra pelo acesso a algumas notícias e editoriais em seu site (apenas notícias da vesão impressa e ao custo de R$ 29,90/mensais), mas com acesso livre para assinantes da versão impressa.
A Folha de São Paulo também segue essa linha, os assinantes da versão impressa ou do UOL (o controle acionário do portal é do Grupo Folha) podem ler as notícias da versão impressa, os demais internautas apenas da versão online.
E finalmente O Globo, cobra R$ 35,90 pela versão digital. Nos três casos, o assinante também possui acesso ao “histórico” do jornal.
Um modelo diferente foi o da Editora Abril para a revista semanal Veja, o acesso online à edição atual é restrito aos assinantes, todo o resto, incluindo o arquivo de edições, está liberado.
Quem vai bem com o modelo pago?
Até agora, quem vai bem com o modelo pago são os sites que fornecem informações muito valiosas a poucos usuários. Dois dos exemplos mais famosos são a Bloomberg e o The Wall Street Journal. Mas é interessante notar que boa parte do conteúdo de noticiário está liberado. O que é (bem) pago são entrevistas, análises e, claro, as informações do mercado financeiro, especialidade das duas instituições. Pelas últimas informações liberadas pelos controladores, os dois negócios vão muito bem, obrigado, mesmo nesse período de crise internacional.
Por que insistir no pago?
Os grandes grupos de informação dizem que não é possível fornecer um material de alta qualidade apenas com a receita publicitária. Segundo eles, o custo de obtenção da informação (jornalistas, viagens, equipamentos, backoffice, etc…) é muito alto, proibitivo mesmo, tornando a operação inviável.
Sinceramente, isso é muito estranho. Certamente não existe nenhuma operação de internet é mais cara que o Google. Acredita-se que o líder absoluto das buscas na internet possua centenas de milhares de pequenos servidores e links na casa dos terabits. São milhares de funcionários e boa parte deles dedicados apenas às inovações de amanhã, ou seja, muita gente trabalhando em algo que possivelmente nunca irá pro ar. Então como sobrevive e obtem seus gordos lucros? O Google, e também o Yahoo! foram capazes de montar eficientes sistemas para a venda de anúncios online. Curiosamente os dois sites são especialistas nos opostos do espectro de anúncios: o Google tem a frente no varejão e o Yahoo! nos anúncios Premium.
Além dos dois há muitas outras redes de anúncios surgindo e se estabelecendo, todas apostando em conteúdo gratuito, afinal, é esse tipo que fornece o maior número de visitas, consequentemente o maior número de cliques e renda. Pra quem não sabe, nessa modalidade de negócio (geralmente) a anunciante só paga quando seu anúncio é clicado, e o veículo, que pode ser um blog como esse, só recebe nessa mesma situação, quando o anúncio é clicado.
Conclusão
A conclusão com maior probabilidade de estar correta é que estamos em um momento de transição do modelo de arrecadação com anúncios, e quem não entender o novo mecanismo ficará pra trás, quem sabe até lidando com o fim do próprio negócio. É muito cômodo aos grandes grupos dizer que não é viável viver apenas de propaganda (quando sabemos que sim, é possível, ou ninguém mais lembra que a TV aberta SEMPRE viveu apenas disso?) . Mais difícil e provavelmente mais eficiente a longo prazo, seria construir parcerias e equipes de vendas mais agressivas e/ou sintonizadas com os novos tempos.
Apenas como nota final, muito se diz que os blogs não seriam competição para os “jornaizões” por não terem equipe ou buscarem a notícia no lugar real. Cada vez menos verdadeira essa visão, há vários blogs com equipes PAGAS e até mesmo enviados. É como disse, apenas são mais enxutos nos custos e eficientes na hora de vender seus espaços publicitários.
Já dizia o ditado e o conto de Edgar Allan Poe: em terra de cego, quem tem um olho é rei. O que dizer então da internet, com seu bilhão de olhos escrutinando tudo o que acontece. A vítima da vez foi a Microsoft. A gigante de Redmond colocou no ar uma campanha publicitária exibindo uma mulher branca, um homem negro e um oriental. Isso na versão em inglês, veja a imagem abaixo:

homem negro em anúncio da microsoft
Já na versão em polonês, a cabeça do homem negro foi trocada pela de um homem branco (ah, o photoshop!). O detalhe interessante é que a mão continua negra. Veja a foto abaixo:

homem branco em anúncio da microsoft
Tenho certeza que todo mundo consegue compreender “localização” de um anúncio, ou seja, torna-lo mais parecido com o público alvo. Como deve haver poucos homens negros na Polônia, fizeram a “dança das cabeças”. O que gerou reclamação foi o fato do oriental continuar lá, isso evidenciaria racismo. A Microsoft se desculpou, informou que iria retirar o anúncio do ar e procurar os responsáveis pela manipulação da imagem.
Opinião desse blogueiro: eu compreendo que se troque o homem negro por um branco para o anúncio na Polônia. E também entendo que não tivessem “trocado” o oriental. Desde que o Japão começou a inundar o mundo com suas traquitanas eletrônicas, lá na longinqua década de 1970, que orientais são relacionados à tecnologia, escopo do anúncio.