O contador de histórias

18 / 04 / 2008   Genéricas* 5 comentários

Quem tem filhos e filhas sabe: crianças gostam de histórias. Acontece quase sem querer. Uma bela noite elas vão pra cama e você pergunta de forma quase inocente -Quem quer ouvir uma historinha? . A resposta, mesmo com sono, costuma vir com a estridência característica -EEEEEEEEEEEEUUUUUUUUUU! Foi assim que começou aqui em casa e assim é até hoje. Não é nada raro, pensando bem é o normal, após o “fim” vir uma vozinha manhosa -Outra, papai! Os que não tem filhos (ainda) podem acreditar, esse “papai” é um arrasa-coração.

Descobrir o óbvio, nesse caso “crianças gostam de histórias”, é sempre emocionante. A única sensaçao superior é a redescoberta. Então vamos a ela.

Por conta de uma séria de fatos e fatalidades cheias de idas e voltas um tanto longas demais para serem contadas, freqüentamos uma lar para crianças abrigadas. Para quem não sabe o que vem a ser isso, como eu não sabia, é o local onde ficam as crianças quando o estado decide que os responsáveis não podem ou não devem cuidar delas. Há crianças em todas as situações: abandonadas, espancadas, exploradas ou, o mais comum, de pais desempregados e que simplesmente não conseguem mais alimentar seus filhos mas se recusam a mendigar com eles pelas ruas.

Um sábado qualquer estávamos lá e minha esposa resolveu ir ao berçário (toda mulher tem fissura por bebês?), eu fiquei com os mais “velhos”. Por “velhos” entenda-se crianças de 2 a 5 anos. A monitora olhou pra minha cara e foi decretando -Marcos, hoje você vai brincar com elas! -Quem, eu? Tem outro Marcos aqui? Ihh, parece que sou eu mesmo. Comecei a fazer o que faz todo o homem: usei o corpo, porque a mente, como se sabe, não dá pra muito. Foi um tal de levanta daqui, gira de lá, faz gangorra, joga pra cima e… meu Zeus, isso cança. Muito! E a bagunça e gritaria, a situação estava fora de controle quando finalmente uma alma caridosa coloca um livro em minhas mãos e avisa a criançada que está na hora da história. Opa! Eu sou bom nisso! Ou não tão ruim. E eles ficaram quietos. Tudo bem que uns 5 tentaram ficar no meu colo durante a história, mas isso é gerenciável. Fui seguindo o livro, pontuando as frases com a minha canastrice e eles prestando atenção. Assim que acabei todos queriam um livro pra si. E folheavam como fazem os pequenos, “lendo” suas invencionices. Quando se entediavam de “criar” os textos pediam para eu ler o que estava escrito em cada um de seus livrinhos. Não sei o dia foi mais emociante pra mim ou pra eles. Talvez tenha sido pra Chapeuzinho Vermelho e sua Vovó.

O que sei é que aquelas crianças quiseram ler. E com o hábito de ouvir contos irão querer cada vez mais. Pra incentivar qualquer um a ler e estudar não são necessários grandes recursos ou um ímpar talento didático. Basta cutucar o que já está lá, em cada um deles. Mas é preciso colocar o dedo. Cutuque você também.

-Criançada, chegar na casa da Vovó foi legal, mas quem quer ouvir a história da volta? -EEEEEEEUUUUUUUU!

Esse post é parte da Blogagem Coletiva proposta pela Georgia com o apóio da Meire.

Participam da blogagem: Abigobaldo, Abiose, Adao Braga, Adelino, ADesenhar, Adri, Alealb, Alê, Aline D, Allan, Alice, Amigos da Blogosfera, Ana C, Ana C. Zumpano, Ana Laura D, Andrea Motta, Aninha Pontes, Anny, Antonia Y, Aru’, Bárbara Matias,Bárbara M.P,Bel, Bel 2, Bete, Bia, BionRJ, Blogosfera Solidaria, Blue R, Bruna P., C. Antonio, Canha,Carla B, Carla T, Carolina, Carol R, Ce Junior, Celia, Celia Malmqvist, Célia Rodrigues, Celia Santos, Chicoelho, Cidao, Cilene Bonfim, Claudia Campos, Claudia Clarke, Claudia Pit, Clausia, Crispassinato, Christiani R, Cristiane A., Cybele M., Cris Penaforte, Cris Santos, Crys, Danda, Daiana, Daniela, Debora, Denise BC., D. Afonso XX, o Chato, Doni, Drops Azul Aniss, Du, Edilene Mora, Eduardo, Eduardo W., Efeneto, Ela, Elaine, Ernani M, Elena, Elisabete C, Elisangela, Elvira Villani, Fabio A, Fabio Mayer, Fátima F, Fátima R, Fernanda, Fernanda J., Fernando Cals, Fernando Z., Flainando na Web, Flavia M, Flavio V., Frodo, Georgia, Gi, Gilson, GuGa, Guillian, Hairon A,Hebert D., Henry Felippe , Ingrid, Iza, Jandira S, Jan T., Jessica M, Joao Bosco, Joao Maria, Julio M., Jussara, Kall, Karine Leao, Krika, Laura, Leniß, Leo, Leonardo, Leonor Cordeiro, Leticia Coelho, Lili Bettina, Lili Faz sua parte, Lilian Britto, Lino Resende, Lis, Liz, Loba, Lola, Lou, Lu, Lucas, Lu Cavichioli, Luci100, Luci Lacey, Lucia Freitas, Lucia, Luiz R, Luiz Ramos, Lulu, Luma, Lunna F., Lunna, Lusinha, Luiz, Luiza Helena, Luiz Valério, LysFigueiredo, Manu, Marcelo, Marcelo M, Marcia F, Marcos, Marcos Santos, Marcos V., Maria Augusta , Maria Fernanda, Marilac, Mario, Marlene Mora, Marta Ribeiro, Mayna Nabuco, Meire, Mi, Michel Q., Milla,Miriam Salles, Motivacao, Nadia, Nadja, Naldy, Nanci Natalia, Nando D, Nina, Oscar, Ozeca, Pablo Ramos, Paloma, Patti, Paulo, Paola Madrid Sartoretto, Paulinha, P-Paulinha, Pedro Freire, Pri, Prof° Cristiana P, Prof° Josenilton, R., Radio Santa Cruz, Rap, Renata, René, Ricardo, Ricardo Rayol, Ricardo Soares, Rober P, Roberta, Roberto B, Rogério B, Ronald, Rosa, Rosacea, Rosana, Rosane , Roseli V, R Petterson, Sandrinha, Scliar, Saramar, Semíramis A, Sérgio C, Sergio Issamu, Sergio F, Sergio Nascimento, Simone L., Sonia H., Sonia Regly, Suellen N, Suelly Marquez, Taliesin, Tamara, Tanya, Tata, Tina, Veneza A. Babicsak, Veridiana, V. Carlos, Vi Leardi, Vinícius, Vitória, Vivi, Vivi Amorim, Viviane B, Vó Heda, William, Xico Lopes, Zel, você.

enviado por Marcos V.

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Blogando e lendo por aí…

17 / 04 / 2008   Genéricas* 5 comentários

Tenho um notebook, que chamo de “escritório”. Não é um topo de linha, é algo que se me roubarem só vou ficar chateado e não tentarei arrancar os poucos fios de cabelo que restam. Basicamente, se estou com ele estou trabalhando. Mas vou confessar, às vezes é um pé-no-saco. O bicho pesa 2kg e a tela de 15.4″ pode ser boa pra trabalhar, mas é grande para ser transportada. Ainda bem que eu não comprei a de 17″!

Na verdade eu gostaria de ter dois, um maior pra trabalhar e visitar clientes e um menor pra pequenas viagens e deixar na mochila. Andei pesquisando os micronotebooks e estou aguardando por algo que me agrade. Parece que surgiu o primeiro, o Asus eee-900. Eu só sei de uma pessoa que possui um eee (o Mariposo, tá na hora de você postar algo dizendo como está sendo a experiência finalmente contou suas aventuras com a velhinha maníaca e o eee). Também vi no Usuário Compulsivo um vídeo demonstrativo feito por uma revista de Hong Kong. É amadurecer um pouco a idéia.


Atenção, olhe para o computador!

Também sou viciado em ler. Tenho sempre um livro no carro ou mochila. Toda vez que tomo um chá de cadeira ou tenho que pegar fila em algum lugar saco o livro e os minutos demoram menos a passar. Até que finalmente aconteceu, em uma maldita espera por um cliente, acabou o livro! Pânico! Desespero! Uma ida ao bebedouro, uma ao banheiro e dez minutos olhando a vista pela janela. Que no caso era o muro da casa vizinha.

É justamente pra essas situações que existe a tecnologia antiga. Como detesto ler na tela do celular, o meu é muito bom pra ouvir música (outros dos meus vícios) e falar, não pra ler, resolvi ressuscitar meu antigo iPaq 1940h. Há um tempo resolvi reler os clássicos (sim, sinal veemente de idade avançada), baixei uma série de livros, a maioria em PDF, que fica uma droga pra ler em pequenas telas, transformei em txt e taquei tudo nele. Tenho uma pequena biblioteca para momentos de desespero. Sem mencionar que cabe no bolso. -Pô, porque você não compra um IPhone? Humm, primeiro acho um absurdo o que cobram no Brasil por eles e depois eu tenho uma certa restrição a marcas monopolistas como a Apple. Enfim, ideologia e muquiranice, quer argumentos melhores?

Agora só falta as editoras utilizarem a massa encefálica que teoricamente possuem seus diretores e disponibilizarem os lançamentos para download. Afinal, TODOS os livros que procurei no eMule ou um torrent estão lá. TODOS. Se o argumento pra não soltar versões eletrônica é combater a pirataria, lamento informar que a batalha está perdida antes de começar. No entanto, eu, e acredito que a maioria, gastaria R$ 30,00 ou US$ 10,00 pra ler o que quero.

E antes que alguém resolva mandar a polícia lá em casa, eu não faço o download, sério, gasto uma bela grana na Livraria Cultura e na Amazon. Só que esses viraram os livros de cabeceira, que leio naqueles minutos antes dos olhos desabarem. Como o tempo é restrito leio pouco e, consequentemente, consumo menos. Miram no pirata e acertam no consumidor. Como sempre.

enviado por Marcos V.

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Faz um tempo…

11 / 04 / 2008   Genéricas* 2 comentários

Esse mês nasceu minha sobrinha, estive vendo o mundo ao redor dela e resolvi pensar no que acontecia nos tempos arredores à minha vinda ao mundo.

Milagre econômico. Homem na Lua. Pink Floyd e Novos Baianos. Médici e Nixon. Transamazônica e ponte Rio-Niterói. George C. Scott ganhou mas recusou o Oscar de melhor ator por Patton. Sei lá o motivo. Carole King levou o Grammy com “It’s too late“. E cantou “you got a friend” com James Taylor. Nascia a internet, ou melhor, a ARPAnet. Simon & Garfunkel cantavam “bridge over troubled water“. Jackie Stewart venceu o mundial de F1. O Atlético Mineiro foi campeão brasileiro. E Pelé marcava e marcava e marcava… E até quando errava era fenomenal.

E essa moça ai embaixo morreu alguns meses antes… e até hoje estou ouvindo o que ela tinha pra contar cantar. Janis Joplin.

enviado por Marcos V.

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mão amarela

11 / 12 / 2007   Genéricas* comente esse artigo

 Um dos dois fez. Ahhh, fez!

Bebê chorão segurando bebê chorão

enviado por Marcos V.

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Melhor seria estar “melhor preparado”…

28 / 11 / 2007   Genéricas, política* comente esse artigo

O jornalista Paulo Henrique Amorim costumava elogiar os tucanos. Até o dia da desgraça [deles]: essas aves bateram asas (ou tiveram suas asas batidas) pra longe do palácio do planalto (sim, com minúsculas). Hoje PHA costuma elogiar os (adivinhe!) petistas. Acho mesmo que se algum dia o Gabeira for presidente do Brasil é capaz de PHA ir trabalhar de bicicleta.

Jacque é pra ser rizível, retornando à fêmea fresca de bovino (voltando à vaca fria), em seu site/blog/ou-seja-o-que-for PHA, nessa nova fase, não perde a oportunidade de achincalhar Fernando Henrique Cardoso, eu também não. Mas, como diria o craque da bola, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Num discurso recente FHM FHC afirmou que um dirigente deve estar “melhor preparado”. PHA não perdeu tempo e jogou inquietante enquete no ar:

FHC diz ‘melhor preparado’ em lugar de ‘mais bem preparado’. Por que será?

  1. Porque ele é um analfabeto.
  2. Porque ele é de uma classe social inferior.
  3. Porque ele é metalúrgico.
  4. Porque ele é nordestino.

Hummm, senão, contudo, entretanto, vejamos: a expressão “mais bem” funciona como advérbio de modo. “Melhor” como adjetivo. Ou seja,”mais bem” se relaciona com ou é comparativo de “bem” da mesma forma que “melhor” se relaciona com ou é comparativo de “bom”. Como ninguém diria “bom preparado” e sim “bem preparado” conclui-se que o correto é “mais bem preparado”, como quer PHA.

PHA, e uns outros tantos, e a vida? Sim, a língua vive. Nasce, cresce e morre. Vamos em frente. Que tal falar do Luís (pode perguntar que Luís, o nome não rima com armário)? Sim, o Camões. Está lá no canto IX: ” O pomo que da pátria Pérsia veio, Melhor tornado no terreno alheio. ” (Os Lus., IX, 58). Que tal o Camilo (Castelo Branco): “… um almoço melhor adubado que o da ceia …” (O Santo da Montanha). Não é um o “inventor” da língua e o outro o “primeiro operário”? Tudo bem que não são assim um… PHA.

Não nego que ‘mais bem preparado’ soa melhor, é a forma que a maioria utiliza, por isso dizemos ‘bem feito’,'bem falado’, etc… Mas daí a esquecer que ‘melhor preparado’ remete a ‘preparado de um modo bom ou melhor’ e que ‘melhor falada’ nos leva à ‘língua falada de um modo melhor’, portanto ‘melhor falada’, há uma boa distância. Esse português de manual de redação e estilo de jornal já deu o que tinha que (não) dar.

Parece que o PHA só tem PHD em aporrinhação: PHAla sério!

enviado por Marcos V.

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