Escrevi outro dia no artigo "seu blog está saturado?" sobre a minha crença que o problema não é o tema de um blog, mas a abordagem pouco criativa que se faz desse tema.
Pois bem, acabei de ver no ótimo Pensar Enlouquece um link para o também excelente Vida Inteligente. A autor do vida, Ricardo Veronez, que se define webdesigner mas que parece ser na verdade um artista gráfico de mão cheia, cansado com as manchetes absurdas do Terra, resolvou montar um blog, o vida inteligente, só pra deixar registradas pérolas como essa…

Não é que a idéia é genial e poderia ser extendida a todos os grandes portais e sites de jornais? Tem gente que se dedica a listar notÃcias absurdas, o Ricardo conseguiu uma abordagem original pra isso. Adorei a idéia e vou criar uma área do gênero no blogóide (que está pra sair do forno).
Vou amarrar essa sequência de posts sobre criatividade em um só, facilita a leitura. São conceitos pré estabelecidos sobre criatividade e que no final acabam por inibir o surgimento de novas idéias.
1. “Eu não sou criativo”
Esse mito não está em primeiro lugar à toa, essa é sem dúvida a frase mais ouvida quando as pessoas são colocadas contra a parede pra terem boas idéias. Claro que se estou chamando de mito é porque não considero verdade. Todos somos criativos, o problema é um desbalanceamento de personalidade. Conforme ficamos mais velhos aprendemos a nos auto censurar, com o tempo o id (que representa o desejo, a libido a busca pelo prazer imediato) fica reprimido e não nos liberamos mais. Uma explosão criativa é justamente isso, o prazer de ter uma grande idéia. Com os exercÃcios corretos aprendemos a apertar o gatilho da criatividade sem perder a (necessária) capacidade de nos controlarmos em outros momentos.
Há pessoas que são muito criativas mas não passam de umas chatas, tem muito artista com essa fama. Aprederam a desligar a censura mas não como religa-la. São criativos mas não são produtivos. Qualquer um pode ser melhor que isso. Essa é a razão pela qual alguns atores tem um grande papel na vida enquanto outros possuem toda uma carreira fantástica.
Resumindo, é criativo quem aprender a controlar o gatilho.
2. “Que idéia estúpida!”
As pessoas com alguns grau de intimidade dizem isso umas às outras o tempo todo. Essa é uma das razões pela qual tendemos a barrar a criatividade. Isso é uma trava a mais do gatilho a que me referi na parte 1. A verdade é que todos temos idéias que raramente são brilhantes, algumas são boas, a maioria é mediana, algumas são ruins e raramente temos idéias que são o extrato condensado do que há de péssimo. Da próxima vez que tiver uma idéia, não se censure e nem se permita ser censurado. Pense em como melhorar essa idéia, o que nos levará ao mito 3.
3. Pessoas criativas têm boas idéias
Têm nada! Coisa nenhuma! Pessoas que trabalham a criatividade tem idéias e compartilham com os outros, discutem e acabam transformando uma idéia mediana em uma boa ou excelente. Aliás, se esses “outros” disserem que a idéia é cretina, pergunte a eles o por quê. Se não tiverem nada de útil pra dizer -ahh, é cretina porque é, e pronto!- ignore. Mas se for uma observação boa, incorpore e aprimore a SUA idéia (mito 4). O que acontece é que geralmente esquecemos as “idéias estúpidas” das “pessoas criativas” a acabamos nos lembrando apenas das boas.
4. CrÃtica construtiva
“Uma crÃtica construtiva irá me ajudar a aprimorar a idéia”. A verdade é que (quase) toda a crÃtica é destrutiva, se mais ou menos elegante é outra questão. A melhor forma de lidar com isso é saber que o objetivo da crÃtica é te colocar pra baixo e analizar se há pontos relevantes nela ou não. Os pontos fracos da sua idéia foram apontados? Se foram, e você detectou isso, transformou uma crÃtica em uma possibilidade de aprimoramento.
5. “Nós precisamos de um especialista”
Essa, via de regra, é a receita certa pra ter um monte de idéias comuns em cima da mesa. O especialista, em geral, não é um sujeito criativo por conhecer tão bem as soluções existentes, e suas falhas, que acaba por se auto-censurar demais no que diz respeito a inovações. Mas como um especialista é necessário pra não fazermos burrada, o melhor é juntar pessoas de várias áreas em um brainstorm onde possam contribuir com algo novo.
Uma nota, especialistas criativos custam caro porque reunem duas qualidades que são quase antagônicas: capacidade de inovar e capacidade de prever falhas.
6. “Vamos apontar os erros”
“Apontar os erros” é melhor expressão que conheço pra inibir a capacidade de inovação das pessoas. Faz com que só queiramos aparar as arestas e escolhar sempre o lado da segurança (pricipalmente em empresas onde todos sempre tem medo de perder o emprego ou serem ridicularizados) e nunca o do risco inerente que uma nova idéia traz. Uma frase muito melhor é “Como podemos melhorar esse produto?”. Faz que com os erros sejam apontados, melhorar é corrigir o que não está bom, e incentiva o surgimento de uma nova solução (idéia).
7. “Que idéia boa, vamos implementar!”
A pressa é inimiga da perfeição. Não pare na primeira idéia boa, nem tente implementa-la direto, se fizer isso perderá as idéias excelentes que poderiam vir ou mesmo a oportunidade de transformar essa idéia boa em uma melhor. Mas como não dá pra ficar esperando a vida inteira, “as coisas tem que acontecer”, estabeleça, a priori, um prazo de amadurecimento. Na média, dois ou três dias pensando sobre o assunto.
8. “Sou mais criativo quando bebo”
Sei, sei… e deve dirigir melhor também. O álcool, e várias outras drogas, tem o poder de liberar o gatilho (veja o mito 1) ao ponto em que você não irá se criticar o tempo todo, o que ajuda a ser mais criativo, mas anestesia os sentidos, o que piora a capacidade criativa. O melhor é aprender como se “destravar” de forma consciente. O sujeito que está “alto” pode até se achar muito criativo e divertido, mas pra quem tá em volta ele está só… bêbado.
9. “Em time que está ganhando não se mexe”
A nossa tendência é a acomodação, -se já tá bom, pra que mudar?-, quem quer sempre inovar é até visto como um chato. O que é bom hoje deixará de ser assim que alguém vier com uma opção melhor. A carroça era ótima, levava todo mundo pra cima e pra baixo. Aà um sujeito inventou o automóvel e as viagens ficaram 10 vezes mais rápidas. Ai de quem só sabia fazer carroças… Ai de quem não inovou.
10. “Anotar pra quê? Eu tenho boa memória!”
Tem mesmo. E outro dia eu vi uma vaca voando. Memória é contexto, criamos uma pequena história que nos permite lembrar dados ou eventos. As boas idéias muitas vezes ocorrem fora de contexto, em lugares e situações inesperadas. Seu cérebro não está treinado pra reter informações nessa situação, o meu pelo menos não está. Por isso o melhor é anotar a idéia e voltar a ela depois.
Esses foram os pontos que considero mais importantes entre os que atravancam a criatividade.
Tem mesmo. E outro dia eu vi uma vaca voando. Memória é contexto, criamos uma pequena história que nos permite lembrar dados ou eventos. As boas idéias muitas vezes ocorrem fora de contexto, em lugares e situações inesperadas. Seu cérebro não está treinado pra reter informações nessa situação, o meu pelo menos não está. Por isso o melhor é anotar a idéia e voltar a ela depois.
A nossa tendência é a acomodação, -se já tá bom, pra que mudar?-, quem quer sempre inovar é até visto como um chato. O que é bom hoje deixará de ser assim que alguém vier com uma opção melhor. A carroça era ótima, levava todo mundo pra cima e pra baixo. Aà um sujeito inventou o automóvel e as viagens ficaram 10 vezes mais rápidas. Ai de quem só sabia fazer carroças… Ai de quem não inovou.
Sei, sei… e deve dirigir melhor também. O álcool, e várias outras drogas, tem o poder de liberar o gatilho (veja o mito 1) ao ponto em que você não irá se criticar o tempo todo, o que ajuda a ser mais criativo, mas anestesia os sentidos, o que piora a capacidade criativa. O melhor é aprender como se “destravar” de forma consciente. O sujeito que está “alto” pode até se achar muito criativo e divertido, mas pra quem tá em volta ele está só… bêbado.