Criatividade: Pensamento lateral

19 / 11 / 2007   criatividade* 2 comentários

Faz tempo que não escrevo sobre criatividade. Chegou a hora de mudar isso.

Vamos à anedota:

Um comerciante, pai de uma bela moça, deve dinheiro a um agiota e concorda em quitar a dívida com uma aposta. Em um saco há duas pedras, uma branca e outra preta. A moça deverá retirar uma das pedras. Se sair a pedra branca a dívida é cancelada, se sair a pedra preta o agiota “leva” a moça. Claro que o agiota resolver não dar sorte ao azar e coloca duas pedras pretas no saco. A moça percebe o truque e quando retira sua pedra do saco a deixa cair “acidentalmente” em uma lata com várias pedras pretas e apenas uma branca, que ela mesmo colocou lá. Feliz ela diz que só pode ter tirado a branca que “caiu” na lata, afinal a outra pedra no saco é preta. O agiota, pra não manchar a “reputação”, tem que concordar com o ocorrido e acaba por cancelar a dívida.

O exemplo acima é do psicólogo Edward De Bono, ele chama a técnica de pensamento lateral. Se bem que em português acho que ficaria melhor como pensamento alternativo. Traduções à parte, a técnica consiste na aplicação de quatro fatores críticos:

1. reconhecer as idéias dominantes que polarizam a percepção do problema.
2. procurar por uma forma diferente de ver as coisas
3. relaxar o rígido controle do pensamento
4. utilizar toda a oportunidade de encontrar idéias alternativas.

No exemplo acima a idéia dominante(1) é que só é possível retirar uma pedra preta do saco, afinal só há pedras pretas. A forma diferente de encarar o problema(2) é perceber que não interessa qual pedra saiu do saco mas qual pedra todos pensarão que saiu do saco. O relaxamento do controle rígido (3) está na percepção de que é possível inserir novos elementos ao problema e, finalmente, a oportunidade de encontrar uma idéia alternativa (4) se concretiza ao adicionar a lata com várias pedras pretas e apenas uma branca `a equação.

Todas as técnicas de criatividade, de uma forma ou outra, utilizam-se desses quatro pontos, a percepção disso é o mérito do método. O fato de ter se transformado na mina de ouro de De Bono, com vários best-sellers de “variações sobre o mesmo tema” publicados, não desqualifica o trabalho original. Gosto de aplicar esses pontos de forma consciente a cada desafio apresentado. Deveria mesmo fazer isso com mais frequência para escolhar os temas dos posts aqui no blog.

enviado por Marcos V.

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manchetes absurdas - conheça o Vida Inteligente

23 / 04 / 2007   Blogar, criatividade* 2 comentários

Escrevi outro dia no artigo "seu blog está saturado?" sobre a minha crença que o problema não é o tema de um blog, mas a abordagem pouco criativa que se faz desse tema.

Pois bem, acabei de ver no ótimo Pensar Enlouquece um link para o também excelente Vida Inteligente. A autor do vida, Ricardo Veronez, que se define webdesigner mas que parece ser na verdade um artista gráfico de mão cheia, cansado com as manchetes absurdas do Terra, resolvou montar um blog, o vida inteligente, só pra deixar registradas pérolas como essa…

vidainteligente-capaterra

Não é que a idéia é genial e poderia ser extendida a todos os grandes portais e sites de jornais? Tem gente que se dedica a listar notícias absurdas, o Ricardo conseguiu uma abordagem original pra isso. Adorei a idéia e vou criar uma área do gênero no blogóide (que está pra sair do forno).

enviado por Marcos V.

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10 mitos criativos

22 / 04 / 2007   criatividade, mente e cérebro* comente esse artigo

Vou amarrar essa sequência de posts sobre criatividade em um só, facilita a leitura. São conceitos pré estabelecidos sobre criatividade e que no final acabam por inibir o surgimento de novas idéias.

1. “Eu não sou criativo”
Esse mito não está em primeiro lugar à toa, essa é sem dúvida a frase mais ouvida quando as pessoas são colocadas contra a parede pra terem boas idéias. Claro que se estou chamando de mito é porque não considero verdade. Todos somos criativos, o problema é um desbalanceamento de personalidade. Conforme ficamos mais velhos aprendemos a nos auto censurar, com o tempo o id (que representa o desejo, a libido a busca pelo prazer imediato) fica reprimido e não nos liberamos mais. Uma explosão criativa é justamente isso, o prazer de ter uma grande idéia. Com os exercícios corretos aprendemos a apertar o gatilho da criatividade sem perder a (necessária) capacidade de nos controlarmos em outros momentos.
Há pessoas que são muito criativas mas não passam de umas chatas, tem muito artista com essa fama. Aprederam a desligar a censura mas não como religa-la. São criativos mas não são produtivos. Qualquer um pode ser melhor que isso. Essa é a razão pela qual alguns atores tem um grande papel na vida enquanto outros possuem toda uma carreira fantástica.
Resumindo, é criativo quem aprender a controlar o gatilho.

 

2. “Que idéia estúpida!”
As pessoas com alguns grau de intimidade dizem isso umas às outras o tempo todo. Essa é uma das razões pela qual tendemos a barrar a criatividade. Isso é uma trava a mais do gatilho a que me referi na parte 1. A verdade é que todos temos idéias que raramente são brilhantes, algumas são boas, a maioria é mediana, algumas são ruins e raramente temos idéias que são o extrato condensado do que há de péssimo. Da próxima vez que tiver uma idéia, não se censure e nem se permita ser censurado. Pense em como melhorar essa idéia, o que nos levará ao mito 3.

3. Pessoas criativas têm boas idéias
Têm nada! Coisa nenhuma! Pessoas que trabalham a criatividade tem idéias e compartilham com os outros, discutem e acabam transformando uma idéia mediana em uma boa ou excelente. Aliás, se esses “outros” disserem que a idéia é cretina, pergunte a eles o por quê. Se não tiverem nada de útil pra dizer -ahh, é cretina porque é, e pronto!- ignore. Mas se for uma observação boa, incorpore e aprimore a SUA idéia (mito 4). O que acontece é que geralmente esquecemos as “idéias estúpidas” das “pessoas criativas” a acabamos nos lembrando apenas das boas.

4. Crítica construtiva
“Uma crítica construtiva irá me ajudar a aprimorar a idéia”. A verdade é que (quase) toda a crítica é destrutiva, se mais ou menos elegante é outra questão. A melhor forma de lidar com isso é saber que o objetivo da crítica é te colocar pra baixo e analizar se há pontos relevantes nela ou não. Os pontos fracos da sua idéia foram apontados? Se foram, e você detectou isso, transformou uma crítica em uma possibilidade de aprimoramento.

5. “Nós precisamos de um especialista”
Essa, via de regra, é a receita certa pra ter um monte de idéias comuns em cima da mesa. O especialista, em geral, não é um sujeito criativo por conhecer tão bem as soluções existentes, e suas falhas, que acaba por se auto-censurar demais no que diz respeito a inovações. Mas como um especialista é necessário pra não fazermos burrada, o melhor é juntar pessoas de várias áreas em um brainstorm onde possam contribuir com algo novo.
Uma nota, especialistas criativos custam caro porque reunem duas qualidades que são quase antagônicas: capacidade de inovar e capacidade de prever falhas.

6. “Vamos apontar os erros”
“Apontar os erros” é melhor expressão que conheço pra inibir a capacidade de inovação das pessoas. Faz com que só queiramos aparar as arestas e escolhar sempre o lado da segurança (pricipalmente em empresas onde todos sempre tem medo de perder o emprego ou serem ridicularizados) e nunca o do risco inerente que uma nova idéia traz. Uma frase muito melhor é “Como podemos melhorar esse produto?”. Faz que com os erros sejam apontados, melhorar é corrigir o que não está bom, e incentiva o surgimento de uma nova solução (idéia).

7. “Que idéia boa, vamos implementar!”
A pressa é inimiga da perfeição. Não pare na primeira idéia boa, nem tente implementa-la direto, se fizer isso perderá as idéias excelentes que poderiam vir ou mesmo a oportunidade de transformar essa idéia boa em uma melhor. Mas como não dá pra ficar esperando a vida inteira, “as coisas tem que acontecer”, estabeleça, a priori, um prazo de amadurecimento. Na média, dois ou três dias pensando sobre o assunto.

8. “Sou mais criativo quando bebo”
Sei, sei… e deve dirigir melhor também. O álcool, e várias outras drogas, tem o poder de liberar o gatilho (veja o mito 1) ao ponto em que você não irá se criticar o tempo todo, o que ajuda a ser mais criativo, mas anestesia os sentidos, o que piora a capacidade criativa. O melhor é aprender como se “destravar” de forma consciente. O sujeito que está “alto” pode até se achar muito criativo e divertido, mas pra quem tá em volta ele está só… bêbado.

9. “Em time que está ganhando não se mexe”
A nossa tendência é a acomodação, -se já tá bom, pra que mudar?-, quem quer sempre inovar é até visto como um chato. O que é bom hoje deixará de ser assim que alguém vier com uma opção melhor. A carroça era ótima, levava todo mundo pra cima e pra baixo. Aí um sujeito inventou o automóvel e as viagens ficaram 10 vezes mais rápidas. Ai de quem só sabia fazer carroças… Ai de quem não inovou.

10. “Anotar pra quê? Eu tenho boa memória!”
Tem mesmo. E outro dia eu vi uma vaca voando. Memória é contexto, criamos uma pequena história que nos permite lembrar dados ou eventos. As boas idéias muitas vezes ocorrem fora de contexto, em lugares e situações inesperadas. Seu cérebro não está treinado pra reter informações nessa situação, o meu pelo menos não está. Por isso o melhor é anotar a idéia e voltar a ela depois.

 

Esses foram os pontos que considero mais importantes entre os que atravancam a criatividade.

enviado por Marcos V.

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10 mitos criativos: 10 de 10 - “Anotar pra que? Eu tenho boa memória!”

21 / 04 / 2007   criatividade, mente e cérebro* 2 comentários

Tem mesmo. E outro dia eu vi uma vaca voando. Memória é contexto, criamos uma pequena história que nos permite lembrar dados ou eventos. As boas idéias muitas vezes ocorrem fora de contexto, em lugares e situações inesperadas. Seu cérebro não está treinado pra reter informações nessa situação, o meu pelo menos não está. Por isso o melhor é anotar a idéia e voltar a ela depois.

enviado por Marcos V.

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10 mitos criativos: 9 de 10 - “Em time que está ganhando, não se mexe”

20 / 04 / 2007   criatividade, mente e cérebro* comente esse artigo

A nossa tendência é a acomodação, -se já tá bom, pra que mudar?-, quem quer sempre inovar é até visto como um chato. O que é bom hoje deixará de ser assim que alguém vier com uma opção melhor. A carroça era ótima, levava todo mundo pra cima e pra baixo. Aí um sujeito inventou o automóvel e as viagens ficaram 10 vezes mais rápidas. Ai de quem só sabia fazer carroças… Ai de quem não inovou.

enviado por Marcos V.

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