O direito de blogar em período eleitoral

02 / 04 / 2008   Blogar* comente esse artigo

Vamos imaginar um cidadão brasileiro com alguma dupla cidadania, blogueiro e radicado em alguma democracia no exterior. Preocupado com o destino da terra-mãe, nosso patriota resolve acompanhar em detalhes o processo eleitoral que se aproxima e passa a documentar em seu blog (em um domínio .com) suas impressões sobre os candidatos.

Uma segunda imagem. Um cidadão brasileiro, blogueiro e vivendo em alguma cidade deste enorme país. Preocupado com o destino da terra-mãe, nosso patriota resolve acompanhar em detalhes o processo eleitoral que se aproxima e passa a documentar em seu blog (em um domínio .com.br) suas impressões sobre os candidatos.

Qual a diferença entre eles? O primeiro nada fez de errado, o segundo está ao alcance da justiça eleitoral brasileira, ele infringiu a surreal resolução 22.718 do Tribunal Superior Eleitoral, que entre outras incompreensíveis pérolas diz não ser permitido emitir opiniões, desabonadoras ou elogiosas, sobre candidatos. Como é, então eu nada posso falar sobre aquele que fez obras faraônicas e quase levou a cidade à falência ou sobre aquela outra que assinou um contrato de R$ 10bi com empresas de lixo? Contrato esse que foi renegociado por R$ 2bi a menos. Não, não poderei e por ai vai.

Que tal outro exemplo? Se um candidato mantiver um perfil no Orkut ou um avatar no SecondLife é bom ir deletando. Segundo a justiça eleitoral o candidato poderá manter apenas um site oficial para sua campanha. Não fica claro o que é um site, depende da interpretação do sr. juiz. Se alguém tornar sua página no myspace um mar de elogios a algum político, o que fará a justiça? Proibirá o site? Cicarelli 2, a vingança? Ahh, e nada de propaganda internet afora. Para conter o abuso do poderio econômico o TSE proibiu os estratosféricos anúncios de 5 centavos.

E mais, quer entrevistar um candidato para o seu blog? Só se for falar com todos e conseguir representantes de todas as coligações para as eleições proporcionais. E com tempo definido se for em video ou audio. Não só a justiça pretende dizer o que se pode ou não publicar, mas como e quanto se pode realizar.

Talvez esse seja um bom momento para os blogueiros comprarem a briga pela liberdade de expressão, tomada aos quinhões por uma legislação eleitoral autoritária e interpretações que são tecnicamente estapafúrdias. A começar pelo exemplo acima. Quem a justiça irá punir? O candidato? O blogueiro? O provedor? Oras, exceto pelo candidato em si, os outros podem ou não estar ao alcance dos senhores magistrados. Fico com a impressão que desconhecem completamente não só o funcionamento da internet, do ponto de vista técnico, mas também sua utilidade social.

Um exemplo prático. A campanha de Barack Obama à nominação como candito à presidência dos EUA pelo partido democrata decolou entre os jovens, principalmente os univesitários. Como fizeram isso? Através de redes sociais e blogs. Emitindo opiniões. A febre Obama na rede é tal que existem até os Obamatars. Simpatizantes utilizam algum símbolo da campanha em seus avatares. Um post (em inglês) sobre a febre Obama no twitter e nas redes sociais. Enquanto isso aqui em Pindorama fingiremos que a internet não existe.

Seria interessante uma manifestação de blogueiros pela garantia à livre expressão. Se escrever um artigo sobre o tema, por favor, informe. Não precisa colocar um link, pode ser por email e eu linkarei de volta.

Atualização: Uma opinião que diz ser manifestações espontâneas dos cidadãos blogar sobre o candidato A ou B. Espero que seja a analise considerada, mas dado o grau de atualização tecnológica de nossos magistrados, não tenho tanta certeza.

enviado por Marcos V.

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Comemore as pequenas conquistas do seu blog

27 / 03 / 2008   Blogar* comente esse artigo

A não ser que você seja louco por dinheiro, precisará de motivação para manter-se ligado ao próprio blog, e auto-motivação chega a ser uma arte. Para isso é necessário comemorar e empolgar-se com cada uma das suas pequenas conquistas. Listo algumas das mais comuns.

comentários: divirta-se com os comentários de seus leitores. Eu aprendi lendo o Pensar enlouquece, pense nisso a responder a (quase) todos. Ok, eu não sou perfeito como oInagaki, mas tento ;p Gosto bastante da repercurssão, para o bem ou para o mal.

links: são parte importantíssima da divulgação do seu blog, e devem sempre ser comemorados. E se não forem, vá lá, muito positivos? Bom, se alguém clica em um link que a princípio te destrata mas encontra um bom conteúdo, não só poderá abandonar a idéia préconcebida como passar a ser seu leitor. Perceber que novos leitores tornaram-sem habituais do blog é ótimo.

referências: são um tipo um pouco diferente de link. Geralmente aparecem em mensagens de comunidades, listas, etc… Pela minha experiência são as que trazem mais leitores fieis. Nem preciso dizer que adoro ser citado. (ô, ego!)

blogagem coletiva: se não foi convidado convide-se pra uma. Valem a pena, introduzem um tema ou ânimo novo nos assuntos geralmente tratados no blog e você sentirá nos dias seguintes o efeito disso.

memes: eu sou péssimo nisso. Minha timidez real se reflete no mundo virtual quando tenho que convidar ou responder à convocação de um meme, mas faz um bem danado ao ego ser lembrado. Se não estivéssemos em março eu adicionaria uma maior disposição a memes nas minhas metas de 2008 rs.

um bom post: escreveu um artigo que ficou bom? Releia depois de uns dias e fique satisfeito com o seu trabalho. Saber que pode fazer bem feito é sempre importante para os dias menos inspirados. Faça uma seleção de seus melhores posts e dê uma olhada neles de vez em quando.

Enfim, se quiser que os outros gostem do seu trabalho, comece por gostar você mesmo.

E pra terminar, uma campanha publicitária tailandesa que mostra como as pequenas coisas boas do dia a dia tornam nossa vida muito melhor.

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PS: caro leitor(a), gostaria de saber o que te deixa de bem com a vida em relação ao seu blog.

enviado por Marcos V.

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A importância da apresentação

07 / 03 / 2008   Blogar* 1 comentário

Se você é como eu e tem uma página “quem sou” pra lá de meia-boca, e boca desdentada, veja como faz Rosana Hermann - um dos melhores textos e de volta à TV.

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enviado por Marcos V.

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O último blogueiro do século XX

19 / 02 / 2008   Blogar* comente esse artigo

Entre os muitos blogs que leio está o da Biblioteca do Congresso Americano (LoC - Library of Congress). O maior acervo de livros e material audiovisual do mundo SEMPRE tem alguma coisa interessante pra mostrar e o responsável pelo blog sabe como transformar esse material em posts.

Pois bem, há poucos dias li um artigo sobre o último [americano] veterano da Primeira Guerra Mundial. O autor, Matt Raymond, relata que no dia 06/02/2008 morreu Harry Landis, um dos dois últimos americanos veterano da Primeira Guerra Mundial, aos 108 anos! Com isso, apenas Frank Buckles, 107 anos, está vivo para contar a história.

Comentando sobre um projeto da LOC de construir um acervo sobre os soldados daquele conflito - por que será que o Brasil insiste em não ter memória? - o autor encontrou uma coleção com vídeos, audio e documentos sobre Frank Buckles e suas experiêncfias.

Imediatamente comecei a imaginar quantos blogueiros registram suas idéias para a posteridade. O meu primeiro blog, que eu não chamava assim, começou em 2000. Era um sistema simples em PHP (nem me lembro qual versão) que programei para um cliente e depois comecei a usar para destacar notícias, piadas ou qualquer coisa que achasse interessante. Na época chamava-se - pelo menos eu chamava - simplesmente “página pessoal” ou “meu site”.

Como o ano 2000 pertenceu ao século passado, fico imaginando se em 2108 haverá algum blogueiro do séc. XX ainda vivo. Espero que pelo menos este que vos escreve ainda esteja blogando, ou seja lá qual for o nome disso daqui a cem anos.

enviado por Marcos V.

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Blogar por dinheiro não é crime

01 / 02 / 2008   Blogar* 1 comentário

Antes de começar a desenvolver o tema, gostaria de dizer que não se preocupe, caro leitor, nem passarei perto da ladainha da “nossa história católica que vê o lucro como algo ruim e blá, blá, blá….

Tenho lido vários artigos sobre o que não se deve fazer para ter um blog de sucesso. Em quase todos (aqui está uma exceção) aparece a “verdade” lugar-comum que “não se deve blogar por dinheiro”. Como assim? O que significa isso? O que é, afinal, blogar por dinheiro?

Há dois tipos de pessoas bem sucedidas profissionalmente. Os que fazem algo que lhes da prazer e os que gostam de ganhar dinheiro. Já convivi e trabalhei com os dois tipos e posso dizer que são igualmente bons.

Eu faço o que gosto: esse todo mundo conhece, é aquele sujeito que alardeia que o trabalho é uma diversão, aguarda ansiosamente pela segunda-feira, fica sempre até mais tarde e parece insuportavelmente feliz. Pelo menos esse é o arquétipo. Na verdade, dúvido que exista uma atividade que proporcione prazer o tempo todo. Eu adoro programar e escrever, mas não me dá tanto prazer cuidar de hardening de servidor. E não me dá prazer nenhum resolver babaquices burocráticas na junta comercial, por exemplo. Mas são essas atividades que me permitem dedicar 50% ao que gosto. Então eu posso dizer que verifico a contabilidade por dinheiro? Sim. E programo por dinheiro? Sim. Qual a diferença? Em relação ao produto final (dinheiro), não há nenhuma, em relação ao prazer que sinto, muita.

Tenho conciência que não sou o tipo de pessoa que conseguiria canalizar todo o meu esforço a algo que não me traz prazer, mas consigo utilizar parte do meu tempo pra isso. Eu preciso fazer o que gosto. Pessoas com esse perfil e que não encontram uma atividade, ao menos parcialmente, interessante, costumam ser mal humorados, detestam o trabalho e são funcionários ou empresários medianos, quando muito. Por outro lado, se encontram, são as pessoas boas de se trabalhar: fazem bem feito e de bem com a vida.

Eu gosto de ganhar dinheiro: esse é um tipo diferente, geralmente não gosta muito de nenhuma atividade profissional, gosta é de ganhar dinheiro. Perceba que gostar de dinheiro é diferente de gostar de ganhar dinheiro. O primeiro caso quer consumir ou ter estabilidade financeira, o segundo quer o prazer dos negócios, de um novo cliente, venda ou contrato. Esse sujeito é raro e costuma ser muito bem sucedido. “Muito” quer dizer muito. Ao menos financeiramente. Se não souber dosar as coisas perde um bocado ou o melhor das outras coisas da vida, como família e amigos.

Há uma parte minha que fica extasiado com um novo contrato, por isso já peguei trabalhos muito chatos e pouco rentáveis. Como não sou ao menos 50% “adoro ganhar dinheiro”, logo vem a frustração de não estar fazendo outras coisas. O trabalho sai, mas não em todo o seu potencial. Hoje, sabendo disso, só entro em projetos realmente atraentes.

Conclusão, quer blogar apenas por dinheiro, faça. Tenha certeza que ganhar dinheiro é que te dá mais prazer e escolha um tema em que tenha algum interesse. Se for dinheiro, tanto melhor, essa é a forma de se unir o útil ao agradável.

enviado por Marcos V.

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