Acabei de ler um artigo chamado “Geração Navio vs. Geração Submarino” no blog do Alexandre Freire que na autodescrição aparece como “Consultor Sênior do Instituto MVC e professor dos MBAs Executivos da FGV”. A tese defendida é do conflito de gerações. Segundo a visão do autor, aqueles anteriores à geração web tinham que se esforçar mais para conseguir a informação. Faz sentido, hoje basta abrir o browser para ter acesso a portais e jornais de todo o mundo. No meu período de escola e faculdade as informações estavam na banca de jornais (tinha que ler o papel), nos livros, etc… Aquele filme antigo? Só na locadora ou em alguma mostra. Músicas do exterior? Alguém tinha que trazer. O mais comum eram os pedidos de “compra esse disco pra mim quando for pra Nova York?” Na tese defendida, nós “mais velhos” somos a “geração submarino”, ou seja, vamos mais profundamente na informação.
Já os jovens da web possuem uma visão e conhecimento geral maior que os jovens de 20 anos atrás. Mas uma menor capacidade analítica. Eis o trecho em questão.
“E daí? Você deve estar pensando… E daí que, a geração digital, está começando sua inserção no mercado de trabalho. Porém, são os profissionais da geração “profundidade” que contratam. Uma gerente de RH me confidenciou que durante as entrevistas, uma pessoa da geração digital discorre com facilidade sobre os acontecimentos do mundo inteiro. São versáteis, rápidos e decididos sobre o que querem.
Porém, quando confrontados com perguntas sobre o contexto dos acontecimentos, fazem cara de desentendidos ou dão respostas vagas sobre os assuntos. Essa gerente disse ainda que eles têm dificuldade para analisar as informações e sofrem com a necessidade de ter que iniciar em uma função que não esteja à altura deles.”
Voltei. Vamos aos pontos. Considerando que a web surge em 1994, mas que sua popularização no Brasil começa por volta de 2000, temos, de fato, uma geração que passou boa parte da vida escolar e toda a universidade já inserida no mundo digital, são, portanto, como ressalta o autor, uma geração digital. Diz ainda a gerente de RH mencionada que eles “discorrem com facilidade sobre os acontecimentos do mundo inteiro”. Ok, os acontecimentos (noticiário) do mundo inteiro estão a apenas um click. O problema surge quando 1.)devem contextualizar os acontecimentos, aí ficaria claro como seriam “rasos”. Mais, 2.) também se sentem incomodados quando devem iniciar a carreira em uma situação que consideram inferior.
Quanto ao primeiro ponto, os jovens são sempre acusados (corretamente) de afobados, indivíduos que agem antes de pensar. E o que é a tal experiência de vida senão analisar um fato à luz dos ocorridos anteriormente? A capacidade de contextualizar uma informação é tanto maior quanto o peso dado a cada um dos referenciais, mesmo que implícitos. Explico. Na juventude, quando lia sobre uma guerra com motivações religiosas pensava: -esses caras são malucos! Hoje penso: -A educação do ódio levou essa gente a uma guerra sem fim. Antes compreendia o fato (a guerra), hoje compreendo suas motivações e circunstâncias.
O segundo ponto eu nem compreendo como pode gerar alguma dúvida? Todo o jovem deve sonhar, -semana que vem vou ser presidente dessa empresa! E é confrontado com o choque de realidade: -Parabéns pelo seu primeiro emprego, você será subestagiário do auxiliar do adjunto do almoxarifado, onde ficará camelando por uns dois ou três anos até que alguém perceba sua existência. E o sujeito deve ficar satisfeito?
Não, eles não são rasos ou “navios”, são apenas jovens. E jovem, como diria Chico Anísio, ahh, jovem é outro papo.






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