Todos contra a VW contra um

30 / 04 / 2009   blogosfera, marketing* 2 comentários

Você conhece o Décio? E o irmão do Décio? Sorte sua se a resposta for sim, porque eu não conheço nenhum dos dois, apenas o blog do segundo, diga-se de passagem, um SENHOR blog! O irmão do Décio também é conhecido (para os que, ao contrário de mim, o conhecem) como Du Oliveira. É uma artista gráfico raro no mercado (mundial), daqueles de entender as ferramentas de trabalho, ter a aptidão artística e o conhecimento técnico para desenhar obras de arte automotivas.

Já imaginou como ficaria uma Rural Willys nos dia de hoje? O irmão do Décio, ops, o Du Oliveira se deu a esse trabalho. O resultado é essa beleza da imagem abaixo:

Nova Rural na visão do Du Oliveira

Nova Rural na visão do Du Oliveira

Não se engane, não é uma foto, mas um desenho feito no computador. Pois bem, Entre os carros que sofreram “releitura” estavam vários da VW. O que aconteceu está relatado no blog, ele recebeu uma notificação extra-judicial do departamento jurídico da montadora alemã aqui no Brasil. Se a empresa tivesse o MÍNIMO de bom senso mandaria uma carta agradecendo o carinho que ele tem com os carros da marca, seus desenhos e, por que não?, convidando para algum evento. Mas não os manda-chuvas do lugar, eles  “pediram” que fossem retirados TODOS os desenhos de carros da VW ou entrariam com ação judicial contra o artista. Preste atenção, não houve contanto nenhum, de cara o sujeito recebeu um calhamaço de 25 páginas assinado por um “exército de advogados alemães e brasileiros”, nas palavras do próprio Du. Sim, ele retirou todas as imagens de carros da marca e já disse que também retirou a possibilidade de possuir um VW no futuro.

Repare bem, alguém presta uma homenagem a uma marca, com um trabalho 100% original e é cassado.

A história foi parar em vários blogs, entre eles o do jornalista Flávio Gomes, que contou sobre sua indignação com o ocorrido. O blog do FG é um dos mais lidos do país e, consequentemente, um dos principais pra quem curte carros e automobilismo. A história repercurtiu (principalmente na blogosfera) com artigos e posts pipocando aqui e ali. Pois bem, deu no site da Quatro Rodas que a VW admitiu seu engano e que o trabalho do designer em nada prejudica a marca. Cá entre nós, isso é eufemismo:  o trabalho dele PROMOVIA a marca.

Mas por que a empresa voltou atrás (puxa vida, tenho que escrever um artigo sobre “voltar atrás”)? Não tenho a menor dúvida em afirmar que foi a repercussão negativa do episódio. Sim, foram os foruns, blogs e sites e todas as opiniões negativas sobre a empresa que mudaram isso. Começa a acontecer no Brasil algo que já é constante nos EUA, as opiniões emitidas em um  grande número de blogs é tão importante para uma marca quanto aquelas veículadas pela mídia tradicional (jornais, revistas, rádio, tv).

A VolksWagen descobriu que não vale a pena estra contra todos na blogosfera.

enviado por Marcos V.

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Os jovens digitais são menos profundos?

24 / 04 / 2009   Genéricas* comente esse artigo

Acabei de ler um artigo chamado “Geração Navio vs. Geração Submarino” no blog do Alexandre Freire que na autodescrição aparece como “Consultor Sênior do Instituto MVC e professor dos MBAs Executivos da FGV”. A tese defendida é do conflito de gerações. Segundo a visão do autor, aqueles anteriores à geração web tinham que se esforçar mais para conseguir a informação. Faz sentido, hoje basta abrir o browser para ter acesso a portais e jornais de todo o mundo. No meu período de escola e faculdade as informações estavam na banca de jornais (tinha que ler o papel), nos livros, etc… Aquele filme antigo? Só na locadora ou em alguma mostra. Músicas do exterior? Alguém tinha que trazer. O mais comum eram os pedidos de “compra esse disco pra mim quando for pra Nova York?” Na tese defendida, nós “mais velhos” somos a “geração submarino”, ou seja, vamos mais profundamente na informação.

Já os jovens da web possuem uma visão e conhecimento geral maior que os jovens de 20 anos atrás. Mas uma menor capacidade analítica. Eis o trecho em questão.

“E daí? Você deve estar pensando… E daí que, a geração digital, está começando sua inserção no mercado de trabalho. Porém, são os profissionais da geração “profundidade” que contratam. Uma gerente de RH me confidenciou que durante as entrevistas, uma pessoa da geração digital discorre com facilidade sobre os acontecimentos do mundo inteiro. São versáteis, rápidos e decididos sobre o que querem.

Porém, quando confrontados com perguntas sobre o contexto dos acontecimentos, fazem cara de desentendidos ou dão respostas vagas sobre os assuntos. Essa gerente disse ainda que eles têm dificuldade para analisar as informações e sofrem com a necessidade de ter que iniciar em uma função que não esteja à altura deles.”

Voltei. Vamos aos pontos. Considerando que a web surge em 1994, mas que sua popularização no Brasil começa por volta de 2000, temos, de fato, uma geração que passou boa parte da vida escolar e toda a universidade já inserida no mundo digital, são, portanto, como ressalta o autor, uma geração digital. Diz ainda a gerente de RH mencionada que eles “discorrem com facilidade sobre os acontecimentos do mundo inteiro”. Ok, os acontecimentos (noticiário) do mundo inteiro estão a apenas um click. O problema surge quando 1.)devem contextualizar os acontecimentos, aí ficaria claro como seriam “rasos”. Mais, 2.) também se sentem incomodados quando devem iniciar a carreira em uma situação que consideram inferior.

Quanto ao primeiro ponto, os jovens são sempre acusados (corretamente) de afobados, indivíduos que agem antes de pensar. E o que é a tal experiência de vida senão  analisar um fato à luz dos ocorridos anteriormente? A capacidade de contextualizar uma informação é tanto maior quanto o peso dado a cada um dos referenciais, mesmo que implícitos. Explico. Na juventude, quando lia sobre uma guerra com motivações religiosas pensava: -esses caras são malucos! Hoje penso: -A educação do ódio levou essa gente a uma guerra sem fim. Antes compreendia o fato (a guerra), hoje compreendo suas motivações e circunstâncias.

O segundo ponto eu nem compreendo como pode gerar alguma dúvida? Todo o jovem deve sonhar, -semana que vem vou ser presidente dessa empresa! E é confrontado com o choque de realidade: -Parabéns pelo seu primeiro emprego, você será subestagiário do auxiliar do adjunto do almoxarifado, onde ficará camelando por uns dois ou três anos até que alguém perceba sua existência. E o sujeito deve ficar satisfeito?

Não, eles não são rasos ou “navios”, são apenas jovens. E jovem, como diria Chico Anísio, ahh, jovem é outro papo.

enviado por Marcos V.

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