A crise, os ciclos do capitalismo e as novas empresas

22 / 01 / 2009   anuncios, economia, internet* comente esse artigo

Crise
A crise atingiu forte as empresas de tecnologia, principalmente as de web, como era de se esperar. São empresas muito alavancadas nas bolsas de valores (possuem valor de mercado até dezenas de vezes maior que seus faturamentos) e o olho do furação atingiu o mercado financeiro. Por isso estamos diariamente lendo notícias como essas:

  • Digg deve cortar até 10% dos funcionários. A empresa começa a focar em lucratividade e por isso está montando um time de vendas. Apesar de atrair cerca de 30 milhões de usuários por mês, o faturamente nos três primeiros trimestres de 2008 foi de “apenas” US$ 6.4 milhões.
  • Microsoft anuncia corte de 5.000 empregos. O lucro líquido da companhia caiu 11% no segundo trimestre de seu ano fiscal, para US$ 4.3 bilhões. Por isso, 5.000 empregos serão cortados nos próximos 18 meses, 1.400 imediatamente
  • Google vai demitir 100 recrutadores. Essa é uma mudança bastante interessante. Até há pouco tempo a Google tinha por política recrutar jovens universitários que demonstrassem algum talento, mesmo que não houvesse necessidade da mão de obra. Esse movimento gerou uma séries de inovações e a companhia sempre se gabou disso. Diminuir o ritmo de formação nas “categorias de base” dá a noção do horizonte previsto para uma empresa que vive de vender espaço publicitário em um mercado sem grana pra anunciar.

Não sou economista nem pitonisa, mas duvido que o pior já passou. O pior da tempestade não são os raios, mas a inundação que se segue, às vezes até depois que chuva parou. E apesar das tentativas de diversos governos ao redor do mundo para dar maior liquidez às suas economias, creio que 2009 será um ano terrível para quem vive de anúncios, e internet, como se sabe, é uma “mídia”.

As novas empresas
Por que o mar de lama seria bom para quem está começando? Na verdade, é bom apenas para quem inicia um projeto mas não vive dele. É de se esperar um corte nos investimentos dos projetos de web já estabelecidos em função da diminuição da arrecadação com publicidade. Como os principais canais são veículos e anunciantes ao mesmo tempo, o jogo não fica igualado, mas o tamanho do abismo diminui.

Além disso é sempre mais fácil para quem está começando mudar o plano de negócio. Um exemplo concreto, na nova fase do Cupido.com.br (site de encontros e namoro online) havia um debate se deveríamos cobrar mensalidade ou não. Com o baixo crescimento previsto, em torno de 2%, e o aumento do desemprego que deve vir, há um bom ambiente para um site gratuito. Numa sociedade endinheirada, um serviço de baixo custo ou um gratuito (desde que ofereçam serviços equivalentes) costumam ser vistos com os mesmos olhos. Quem nunca ouviu uma frase como essa -Ahh, a quantia X reais mensais não faz diferença pra mim, se tiver que pagar eu pago. No entanto, mesmo que a renda não tenha diminuido mas a pessoa não esteja muito certa sobre se continuará empregada ou não, a tendência é economizar, nesse caso, ponto para o gratuito.

Ciclo
Esse é o ciclo do capitalismo: crescimento, estagnação ou recessão seguido de novo crescimento. O que importa é que ao final de cada ciclo de crescimento a economia mundial estará em situação melhor que no final do ciclo anterior.  E já tive a oportunidade de ler alguns estudos mostrando que os protagonistas dos períodos áureos tendem a surgir durante as crises. Faz sentido, na fartura qualquer um consegue o seu bocado de mercado, mas a crise é Darwiniana, apenas os mais aptos sobrevivem. Quando os “dias terríveis” acabam o mercado está enxuto, menos e melhores concorrentes. Agora cabe ao verdadeiro empreendedor aproveitar-se disso.

enviado por Marcos V.

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