É possível concordar em gênero, número e grau?

06 / 01 / 2009   educação, escrever

Esse blog é sobre blogs. Via de regra, blogs são “escritos”. Portanto, cabe comentar a língua. Eis aqui mais um artigo.

A expressão concordo em “gênero, número e grau” é mais rodada que baiana de escola de samba, ouve-se a todo momento. Mas está correta? Bom, isso depende de quem responde. Não vou chegar aos “palavrões” como sintagma, mas pretendo cobrir o assunto. Primeiro, uma explicação sobre o significado de cada elemento da expressão.

gênero: o que distingue o masculino e o feminino. Ex: o barco (gênero masculino), a casa (gênero feminino).

número: indica o número de entidades. Em português, há duas flexões: singular e plural. Ex: um carro, dois carros.
Uma curiosidade, em algumas línguas há uma terceira forma, o dual. Assim, teríamos uma palavra para o singular (carro), outra para três ou mais (carros) e uma terceira para indicar apenas dois carros (carroi - isso foi apenas um exemplo inventado, carroi não existe em português!).

grau: indica o nível de “grandeza” do elemento. Em português, para substantivos, há duas formas: diminutivo (carrinho) e aumentativo (carrão).

Agora começa a suposta confusão. Em português, o gênero e número devem seguir a concordância.
Exemplo de gênero: casa amarela, carro amarelo. Casa é feminino, portanto amarelo deve concordar e também ir para o feminino (amarela). Como carro é masculino o adjetivo vai para o masculino (amarelo).

Exemplo de número: casa amarela, casas amarelas. No caso em que o substantivo está no plural (casas), o adjetivo deve concordar e também aparecer no plural (amarelas).

A polêmica surge porque em português não há exigência da concordância em relação ao grau. Eu posso dizer carrinho amarelo, não é necessário diminuir o adjetivo (carrinho amarelinho). Por não ser obrigatório, diz-se não se tratar de uma concordância, mas de uma derivação.

E justamente por não ser o grau uma concordância, o mais “correto” seria dizer apenas “concordo em gênero e número”.

Há também quem defenda que a expressão deveria ser “concordo em gênero, número e caso”. É puro pedantismo. Explico.

Quem já teve a sorte de estudar latim sabe que há derivações para cado caso (acusativo, nominativo, etc…) e, por ser o português uma língua latina, poderia ser utilizado na expressão. Eu discordo, isso vale para o latim, não para o português. E, sendo assim, também há línguas em que a concordância de grau é compulsória, línguas latinas inclusive, isso torna a expressão “concordo em gênero, número e grau” correta? Claro que não, mas por ser de uso comum e popular eu concordo com seu uso em “gênero, número e grau”.

Espero que o artigo tenha sido útil, e aguardo os comentários.


enviado por Marcos V.

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12 Comentários »

  1. Comentário de Roberto — April 7, 2009 @ 6:29 pm

    Adorei a explicação!

  2. Comentário de Roniero — June 18, 2009 @ 3:30 pm

    Gostei muito da explicação. Porém já tinha noção de algumas coisas, só restava relembrar. O motivo de entrar aqui foi apenas porque fiz uma brincadeira com uma amiga universitária, (eu ainda não sou ) e citei que concordaria em gênero, grau e número um certo assunto. Ela me falou assim: Da próxima vez, concorde em gênero, grau, número e CASO. Fiquei bege!! O que diabos é caso? Então ela me explicou por mensagem no orkut, mas ainda ficou um elefante atras de minha orelha. Mas, gostei muito de suas explicações. Afinal, para quem estuda latim é lógico entender, no entanto quem não estuda… Mas, me explique o CASO? Obrigado!

  3. Comentário de vagner eduardo de souza macena — July 3, 2009 @ 12:58 pm

    estou tirando algumas duvidas sobre portugues e gostei de sua explicação…pode melhorar…rs gostei muito obrigado.

  4. Comentário de Medeiros — July 15, 2009 @ 10:11 am

    Caro bloguista! Parabéns pela “aula”. Gostei também da expressão “pedantismo” (adequadíssima) para o “caso” do acaso, como diria a música.
    Att.
    Prof. Medeiros.

  5. Comentário de SERGIO — July 19, 2009 @ 3:37 pm

    Concordo

    Em gênero, número e grau

  6. Comentário de Amílcar Tavares — September 19, 2009 @ 1:25 pm

    Obrigado pela sua ajuda! Por isso vou subscrever o blog via RSS para estar atento.

    Cumprimentos.

  7. Comentário de mari — October 17, 2009 @ 7:00 pm

    DE MAIS! foi dez!

  8. Comentário de maria celia Lima — December 8, 2009 @ 3:06 pm

    Muuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiittttttttoooooooooo boa sua explicação, só agora é que vim me recordar. Deus te abenções, pela clareza da sua explicação.pAz E bem.

  9. Comentário de Paulo Sodate — December 25, 2009 @ 5:30 pm

    Gostei da explicacao sempre em minhas transmissoes esportivas na radio tupi am 1150 eu falo aos meus companheiras que a concordancia e so em genero e numero aprendo com o prof Loureiro Junior agora nao concordo contigo quando vc diz que em funcao do uso isso se torna comum se for assim vamos usar menas,e tantas outras coisas q as pessoas no dia a dia fala errado ta certo entao devemos corrigir as pessoas e dizer sempre o cer to concordo em genero e numero e pronto ….um abraco valeu vc e ferar

    craque manauara,
    a defesa que faço da expressão vai um tanto além do simples uso. Mas vale lembrar que o “você” utilizado no seu texto também vem do uso. Aa expressão era “vossa mercê”, o uso a transformou (”vosmecê”) em “você”.
    Quanto ao “menas”, é um erro “sustentado” por um raciocínio correto: o “menas” concorda com o gênero. Ninguém diz “menas meninos”, apenas “menas meninas”.
    Outro exemplo de “erro” que entrou na língua: no meio do caminho TEM uma pedra (Drummond). O correto seria: no meio do caminho HÁ uma pedra. O verbo “ter” não possui sentido de “existir”, mas seu uso como tal incorporou o erro à linguagem diária.
    Não são defesas desses “erros”, mas constatação. É um bom tema para um artigo.
    []s
  10. Comentário de Nelson — January 18, 2010 @ 1:44 pm

    Muito bom, matéria clara e bem explicativa.
    parabens

  11. Comentário de walter — March 9, 2010 @ 4:29 pm

    ficou bom sim, mas meio confuso, no meio do texto da um pouco de “nó na cabeça. mas explica bem.

  12. Comentário de Júlia — April 6, 2010 @ 1:56 pm

    Concordo em número, gênero e grau!

 

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