Quem tem filhos e filhas sabe: crianças gostam de histórias. Acontece quase sem querer. Uma bela noite elas vão pra cama e você pergunta de forma quase inocente -Quem quer ouvir uma historinha? . A resposta, mesmo com sono, costuma vir com a estridência característica -EEEEEEEEEEEEUUUUUUUUUU! Foi assim que começou aqui em casa e assim é até hoje. Não é nada raro, pensando bem é o normal, após o “fim” vir uma vozinha manhosa -Outra, papai! Os que não tem filhos (ainda) podem acreditar, esse “papai” é um arrasa-coração.
Descobrir o óbvio, nesse caso “crianças gostam de histórias”, é sempre emocionante. A única sensaçao superior é a redescoberta. Então vamos a ela.
Por conta de uma séria de fatos e fatalidades cheias de idas e voltas um tanto longas demais para serem contadas, freqüentamos uma lar para crianças abrigadas. Para quem não sabe o que vem a ser isso, como eu não sabia, é o local onde ficam as crianças quando o estado decide que os responsáveis não podem ou não devem cuidar delas. Há crianças em todas as situações: abandonadas, espancadas, exploradas ou, o mais comum, de pais desempregados e que simplesmente não conseguem mais alimentar seus filhos mas se recusam a mendigar com eles pelas ruas.
Um sábado qualquer estávamos lá e minha esposa resolveu ir ao berçário (toda mulher tem fissura por bebês?), eu fiquei com os mais “velhos”. Por “velhos” entenda-se crianças de 2 a 5 anos. A monitora olhou pra minha cara e foi decretando -Marcos, hoje você vai brincar com elas! -Quem, eu? Tem outro Marcos aqui? Ihh, parece que sou eu mesmo. Comecei a fazer o que faz todo o homem: usei o corpo, porque a mente, como se sabe, não dá pra muito. Foi um tal de levanta daqui, gira de lá, faz gangorra, joga pra cima e… meu Zeus, isso cança. Muito! E a bagunça e gritaria, a situação estava fora de controle quando finalmente uma alma caridosa coloca um livro em minhas mãos e avisa a criançada que está na hora da história. Opa! Eu sou bom nisso! Ou não tão ruim. E eles ficaram quietos. Tudo bem que uns 5 tentaram ficar no meu colo durante a história, mas isso é gerenciável. Fui seguindo o livro, pontuando as frases com a minha canastrice e eles prestando atenção. Assim que acabei todos queriam um livro pra si. E folheavam como fazem os pequenos, “lendo” suas invencionices. Quando se entediavam de “criar” os textos pediam para eu ler o que estava escrito em cada um de seus livrinhos. Não sei o dia foi mais emociante pra mim ou pra eles. Talvez tenha sido pra Chapeuzinho Vermelho e sua Vovó.
O que sei é que aquelas crianças quiseram ler. E com o hábito de ouvir contos irão querer cada vez mais. Pra incentivar qualquer um a ler e estudar não são necessários grandes recursos ou um ímpar talento didático. Basta cutucar o que já está lá, em cada um deles. Mas é preciso colocar o dedo. Cutuque você também.
-Criançada, chegar na casa da Vovó foi legal, mas quem quer ouvir a história da volta? -EEEEEEEUUUUUUUU!
Esse post é parte da Blogagem Coletiva proposta pela Georgia com o apóio da Meire.
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[...] Marcos V. [...]
Mas que belo relato Marcos!
Com certeza estas crianças qdo adultos, um dia contarao para alguem que o que motivaram a aprender a ler e escrver foi um tal adulto que ia ao abrigo e lia para eles.
Valeu e obrigada pela participaçao.
Beijos
Meire
Nem que seja por contra-exemplo, não é mesmo?
Eu, heim! Vou ler muito melhor do aquele fulano que vinha aqui!
rsrsrsrsrs
[]s e parabéns pelo sucesso absoluto da blogagem.
Ah que legal sua historia de contador de historias. Tenho uma amiga que eh contadora de historias oficial de uma dessas instituicoes. Ela vai toda semana contar uma historia diferente e deve ser gratificante !
Eu lembro que adorava historias. Adorava gibis tambem pois quando nao sabia ler, com as figuras podia inventar a historia com minhas amigas.
bjs
Lys
eu não sou um “contador de histórias” fixo como sua amiga, mas me sinto tentado a começar. É, de alguma forma difícil de explicar, gratificante, como você disse.
Puxa, eu adoro astronomia. Tive um longo debate interno e acabei escolhendo as “continhas” da física matemática.
[]s
[...] Marcos V. [...]
Marcos, te pegaram pelo pé ao te colocar para contar histórias. E pelo jeito você se saiu muito bem.
Muito obrigada pela participacao.
Abracos
pegaram pelos pés, cabelos, braços, pernas, etc… rsrsrsrs
Eu que agradeço pela iniciativa.
[]s