Sei não, penso que de tanto admirar a qualidade do texto vejo lições em tudo o que escreve Ivan Lessa. Na coluna publicada hoje na BBC Brasil, o autor explica como prender a atenção do leitor. Interessante a técnica, basta ser “íntimo” do internauta, ser “pessoal”. É uma ótima explicação sobre o sucesso de alguns blogs: seus autores estão expostos ao leitor, são um igual.
Também mostra como citações, surradas ou não, humm, acho que apenas as surradas, dão uma ajuda.
Bom, espero que nenhum maluco me acuse de plágio ou violador - de direitos, que fique claro - por este excerto.
Mundo, mundo mínimo
Da BBC Brasil - BBC (Ivan Lessa)
- Colecionador implacável que sou de lugares-comuns, um dos que mais me aflige é essa mania de pegarem os versos de Drummond e encaixar numa tolice qualquer, tal como estou fazendo aqui. É só o leitor bobear que o jornalista taca lá uma variação sem graça do “mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo…”
Pois é. Vocês manjam. Não sei qual o mais violentado de nossos poetas, se o Drummond do Raimundo e sua rima, ou se o Vinícius de Moraes de “as muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. Fundamental é deixar os poetas em paz e seguir adiante com o texto.
Que é o que vou tentar fazer agora.
Já quebrei a cara - ou terei feito ironia? Cabe ao leitor escolher, embora eu saiba que deixar as coisas por conta de leitor é cutucar onça com vara curta -, já dei com os burros na água, para mudar de imagem, já engrossei, então, segundo meu próprio raciocínio, ao dar o nome que dei a estas pífias digitações numa manhã fria e ensolarada de fevereiro em que curto e sou curtido por um resfriado que ameaça virar gripe.
Peguei intimidade. Dei satisfações do tempo na cidade em que vivo. Prestei contas de minha saúde, ou pelo menos da parte dela (tem cacófato aí, professores?) que julgo procedente compartilhar com o cavalheiro e a senhora aí na quinta fila.
Esse o jornalismo moderno. Informatizado. Eletrônico. Fugaz e vivaz simultaneamente. Fisgar 40 segundos da atenção do internauta não é mole não, minha gente. Vinte segundos, para pegar o título e as primeiras duas linhas, e eu me considero um Paulo Coelho, de tão lido, de tão vendido (no melhor sentido possível, ó bom Coelho!).
Escrever é seguir em frente.






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