Faz tempo que não escrevo sobre criatividade. Chegou a hora de mudar isso.
Vamos à anedota:
Um comerciante, pai de uma bela moça, deve dinheiro a um agiota e concorda em quitar a dívida com uma aposta. Em um saco há duas pedras, uma branca e outra preta. A moça deverá retirar uma das pedras. Se sair a pedra branca a dívida é cancelada, se sair a pedra preta o agiota “leva” a moça. Claro que o agiota resolver não dar sorte ao azar e coloca duas pedras pretas no saco. A moça percebe o truque e quando retira sua pedra do saco a deixa cair “acidentalmente” em uma lata com várias pedras pretas e apenas uma branca, que ela mesmo colocou lá. Feliz ela diz que só pode ter tirado a branca que “caiu” na lata, afinal a outra pedra no saco é preta. O agiota, pra não manchar a “reputação”, tem que concordar com o ocorrido e acaba por cancelar a dívida.
O exemplo acima é do psicólogo Edward De Bono, ele chama a técnica de pensamento lateral. Se bem que em português acho que ficaria melhor como pensamento alternativo. Traduções à parte, a técnica consiste na aplicação de quatro fatores críticos:
1. reconhecer as idéias dominantes que polarizam a percepção do problema.
2. procurar por uma forma diferente de ver as coisas
3. relaxar o rígido controle do pensamento
4. utilizar toda a oportunidade de encontrar idéias alternativas.
No exemplo acima a idéia dominante(1) é que só é possível retirar uma pedra preta do saco, afinal só há pedras pretas. A forma diferente de encarar o problema(2) é perceber que não interessa qual pedra saiu do saco mas qual pedra todos pensarão que saiu do saco. O relaxamento do controle rígido (3) está na percepção de que é possível inserir novos elementos ao problema e, finalmente, a oportunidade de encontrar uma idéia alternativa (4) se concretiza ao adicionar a lata com várias pedras pretas e apenas uma branca `a equação.
Todas as técnicas de criatividade, de uma forma ou outra, utilizam-se desses quatro pontos, a percepção disso é o mérito do método. O fato de ter se transformado na mina de ouro de De Bono, com vários best-sellers de “variações sobre o mesmo tema” publicados, não desqualifica o trabalho original. Gosto de aplicar esses pontos de forma consciente a cada desafio apresentado. Deveria mesmo fazer isso com mais frequência para escolhar os temas dos posts aqui no blog.






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