mentiras, mentira e mais uma mentirinha!

30 / 11 / 2007   economia, política* 2 comentários

Lula mente e mente de novo, Mantega mente e eu também minto. Vejamos.

Lula mente duas vezes

1. O presidente disse que sem a CPMF o país perde R$ 40 bi. Mente ou não sabe de nada? Quem perde R$ 40 bi é o governo. O dinheiro continua circulando pela economia brasileira e, na minha opinião, muito melhor aplicado por cada cidadão do que na burocracia estatal.

2. [Lula] Volta a mentir quando diz que quem não gosta da CPMF é sonegador. Quem gosta de CPMF é masoquista, mas não é esse o ponto. O governo irá insentar do pagamento quem circula até uns mil e tantos por mês em conta corrente. -Ahh, viu como somos bonzinhos? Deixamos os “pequininos” de fora! Sei, e o arroz e feijão que comem os pequeninos? também vão ficar isentos? A resposta já sabemos: -Claro que não! É isso, TODOS pagamos os impostos, apenas que esse, a CPMF, é ainda mais cruel com quem tem menos. Quer outra prova? A CPMF tributa 5 (cinco!) PIBs. Basta fazer as contas (siga o link do Reinaldo Azevedo para ver tudo):

Quanto o governo espera arrecadar com a CPMF de 0,38%? Algo em torno de R$ 40 bilhões, certo? Vamos fazer uma regra de três?

Se R$ 40 bilhões correspondem a 0,38%, que valor corresponderia a 100%?

Assim ensinou a nossa professorinha:
R$ 40.000.000.000,00…….. 0,38%
x ………………………………..100%

Multiplica-se em cruz e faz-se a divisão:
0,38x = R$ 40.000.000.000,00 X 100

x =—-4.000.000.000.000,00
______________________

___ —-………….. 0,38

x = 10.526.315.789.473,68

dez trilhões, quinhentos e vinte e seis bilhões, trezentos e quinze milhões, setecentos e oitenta e nove mil, quatrocentos e setenta e três reais e sessenta e oito centavos.

Isso mesmo, ou quase CINCO PIBs do Brasil. Todos são tachados (e mais de uma vez!). Como é proibido bitributar, até hoje não entendi como isso passou pelo supremo.

Mantega mente

O ministro da fazendo disse que o governo não tem como “perder” R$ 40 bi de um ano para outro. Esquece de dizer que a arrecadação de tributos bateu recorde e já está além do que seria arrecadado pela CPMF sozinha. Ou seja, sem a CPMF o governo não ficaria nenhum centavo abaixo do que já havia estimado.

Eu minto

Eu acredito em duende, no Noel e no Renan Calheiros.

enviado por Marcos V.

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quando ela voltou…

30 / 11 / 2007   crônicas, política* comente esse artigo

Do começo ao começo do meio.

Sua mãe era bela e admirada. Na década de 1950 era assim, para se tornar a ‘miss’ de um país inteiro havia de ser realmente bela e modelar. Seu pai havia sido ministro de estado e mais tarde foi nomeado embaixador em Paris. E foi lá que a menina cresceu, brincou, conheceu a vida e seus amores. Estudou no Sciences Po (Institut d’Études Politiques de Paris) e encontrou um diplomata (a vida e seus Édipos) por quem se apaixonou. Casaram-se e tiveram duas meninas. A vida seguia seu curso no trajeto cheio de aeroportos da carreira diplomática. O governo francês enviava seu marido a todos os cantos do mundo e assim foram de Wellington a Quito. Bela como a mãe e com o dom da conversa como o pai, Ingrid trabalhava como professora de ginástica na capital equatoriana. A existência ia calma e tranquila. E, como sempre acontece nesses casos, algo estava errado: a vida tão boa não parecia completa. Sua terra natal havia deixado de ser lar há tempos, desde a infância em Paris. Chegara o momento de mudar.

Mataram Luis!

Não sei até hoje se ela o conhecia, mas como todos sabiam quem era Luis Carlos Galán, isso não tinha a menor importância. Ela conhecia a luta. Galán, jornalista e político, combatia os efeitos danosos dos cartéis de drogas na vida pública. Já mencionei que falamos da Colômbia? Não?! À essa altura já sabemos todos… Voltando, ele criticava duramente a influência de figuras como Pablo Escobar nos assuntos do País e por isso pagou o preço capital: foi assassinado a tiros em 18 de agosto de 1989. Em praça pública. Era uma demonstração de força da bandidagem organizada.

De certa forma funcionou, a demonstraçao de força. Ingrid recebeu disso um novo impulso e voltou. Candidatou-se ao parlamento e foi eleita. Os principais cartéis já estavam enfraquecidos mas o hábito da corrupção ainda vestia muitas das figuras e hierarquias mandantes. Ela sabia que precisava se posicionar contra isso. E assim o fez. Também chegava a um ponto além do crítico os efeitos das tais Forças Revolucionárias da Colômbia. Movidas a narcotráfico gastavam fortunas pra combater o estado e aterrorizar 40% da nação.

Num esforço de negociação o presidente Pastrana criou um zona desmilitarizada (DMZ). Um território para encontros entre governo e narco-terroristas. Em nada deu.

Ingrid seguia sua vida, já sem o francês e agora casada com um colombiano, e sua ascendente carreira política. Havia sido eleita senadora com o maior número de votos e disputava a presidência, aos 40 anos de idade.

Mataram Luis e ganharam uma determinada.

Não vá, não vá!

E assim, determinada a ir até a DMZ e negociar diretamente com as FARC, Ingrid teve negado seu pedido de seguir em um helicóptero das forças armadas. O governo não queria aparentar apóio a algum(a) candidato(a) em especial e tampouco correr o risco de ter que levar a todos até a região que de desmilitarizada só possuia o nome. Como disse, determinada (sim, aqui funciona como nome) resolveu seguir por terra. Ao chegar ao último ponto de vistoria do exército repudiou a todos os pedidos para não seguir em frente. De certa forma faz sentido, não? Ela havia deixado o conforto pela ‘luta’ e gostou da batalha. Gente assim não pára mesmo que peçam. Ingrido foi. Ingrid não voltou. Desde de fevereiro de 2002

Em abril de 2007 Jhon Frank Pinchao escapou após 9 anos em poder das FARC. Contou sobre Ingrid, que estava viva e por querer viver tentou escapar várias vezes. E foi severamente punida. Por favor, Pinchao, não me diga o que significa isso.

E então veio a foto. Ela está lá, de um lado da montagem a senadora em ação, do outro a mulher com marcas e abatida, olhando para o chão: a prisioneira. Também acho, antes fosse nome de folhetim.

ingrid-betancourt-2002-2007.jpg

e quando ela voltou…

Não sou modernista nem nada mas essa história não tem fim. O meio ainda não acabou. O exército colombiano encontrou um acampamento com fotos e cartas de prisioneiros, mas sem os prisioneiros. Ingrid parece estar, se não viva, vivendo.

E por aqui haverá algum encontro de ‘forças progressistas’ (aquelas que apóiam modelos ditariais cunhados faz cento e tantos anos, que acham legítimo alterar constituições para mascarar golpes de estado e que nada dizem de novo) em que as tais ‘forças’ serão convidadas e aplaudidas por ‘aqueles’ das ‘aquelas’. Não se esqueçam de vaiar Ingrid durante o seu próximo encontro: ela ousou considera-los humanos.

enviado por Marcos V.

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Melhor seria estar “melhor preparado”…

28 / 11 / 2007   Genéricas, política* comente esse artigo

O jornalista Paulo Henrique Amorim costumava elogiar os tucanos. Até o dia da desgraça [deles]: essas aves bateram asas (ou tiveram suas asas batidas) pra longe do palácio do planalto (sim, com minúsculas). Hoje PHA costuma elogiar os (adivinhe!) petistas. Acho mesmo que se algum dia o Gabeira for presidente do Brasil é capaz de PHA ir trabalhar de bicicleta.

Jacque é pra ser rizível, retornando à fêmea fresca de bovino (voltando à vaca fria), em seu site/blog/ou-seja-o-que-for PHA, nessa nova fase, não perde a oportunidade de achincalhar Fernando Henrique Cardoso, eu também não. Mas, como diria o craque da bola, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Num discurso recente FHM FHC afirmou que um dirigente deve estar “melhor preparado”. PHA não perdeu tempo e jogou inquietante enquete no ar:

FHC diz ‘melhor preparado’ em lugar de ‘mais bem preparado’. Por que será?

  1. Porque ele é um analfabeto.
  2. Porque ele é de uma classe social inferior.
  3. Porque ele é metalúrgico.
  4. Porque ele é nordestino.

Hummm, senão, contudo, entretanto, vejamos: a expressão “mais bem” funciona como advérbio de modo. “Melhor” como adjetivo. Ou seja,”mais bem” se relaciona com ou é comparativo de “bem” da mesma forma que “melhor” se relaciona com ou é comparativo de “bom”. Como ninguém diria “bom preparado” e sim “bem preparado” conclui-se que o correto é “mais bem preparado”, como quer PHA.

PHA, e uns outros tantos, e a vida? Sim, a língua vive. Nasce, cresce e morre. Vamos em frente. Que tal falar do Luís (pode perguntar que Luís, o nome não rima com armário)? Sim, o Camões. Está lá no canto IX: ” O pomo que da pátria Pérsia veio, Melhor tornado no terreno alheio. ” (Os Lus., IX, 58). Que tal o Camilo (Castelo Branco): “… um almoço melhor adubado que o da ceia …” (O Santo da Montanha). Não é um o “inventor” da língua e o outro o “primeiro operário”? Tudo bem que não são assim um… PHA.

Não nego que ‘mais bem preparado’ soa melhor, é a forma que a maioria utiliza, por isso dizemos ‘bem feito’,'bem falado’, etc… Mas daí a esquecer que ‘melhor preparado’ remete a ‘preparado de um modo bom ou melhor’ e que ‘melhor falada’ nos leva à ‘língua falada de um modo melhor’, portanto ‘melhor falada’, há uma boa distância. Esse português de manual de redação e estilo de jornal já deu o que tinha que (não) dar.

Parece que o PHA só tem PHD em aporrinhação: PHAla sério!

enviado por Marcos V.

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Criatividade: Pensamento lateral

19 / 11 / 2007   criatividade* comente esse artigo

Faz tempo que não escrevo sobre criatividade. Chegou a hora de mudar isso.

Vamos à anedota:

Um comerciante, pai de uma bela moça, deve dinheiro a um agiota e concorda em quitar a dívida com uma aposta. Em um saco há duas pedras, uma branca e outra preta. A moça deverá retirar uma das pedras. Se sair a pedra branca a dívida é cancelada, se sair a pedra preta o agiota “leva” a moça. Claro que o agiota resolver não dar sorte ao azar e coloca duas pedras pretas no saco. A moça percebe o truque e quando retira sua pedra do saco a deixa cair “acidentalmente” em uma lata com várias pedras pretas e apenas uma branca, que ela mesmo colocou lá. Feliz ela diz que só pode ter tirado a branca que “caiu” na lata, afinal a outra pedra no saco é preta. O agiota, pra não manchar a “reputação”, tem que concordar com o ocorrido e acaba por cancelar a dívida.

O exemplo acima é do psicólogo Edward De Bono, ele chama a técnica de pensamento lateral. Se bem que em português acho que ficaria melhor como pensamento alternativo. Traduções à parte, a técnica consiste na aplicação de quatro fatores críticos:

1. reconhecer as idéias dominantes que polarizam a percepção do problema.
2. procurar por uma forma diferente de ver as coisas
3. relaxar o rígido controle do pensamento
4. utilizar toda a oportunidade de encontrar idéias alternativas.

No exemplo acima a idéia dominante(1) é que só é possível retirar uma pedra preta do saco, afinal só há pedras pretas. A forma diferente de encarar o problema(2) é perceber que não interessa qual pedra saiu do saco mas qual pedra todos pensarão que saiu do saco. O relaxamento do controle rígido (3) está na percepção de que é possível inserir novos elementos ao problema e, finalmente, a oportunidade de encontrar uma idéia alternativa (4) se concretiza ao adicionar a lata com várias pedras pretas e apenas uma branca `a equação.

Todas as técnicas de criatividade, de uma forma ou outra, utilizam-se desses quatro pontos, a percepção disso é o mérito do método. O fato de ter se transformado na mina de ouro de De Bono, com vários best-sellers de “variações sobre o mesmo tema” publicados, não desqualifica o trabalho original. Gosto de aplicar esses pontos de forma consciente a cada desafio apresentado. Deveria mesmo fazer isso com mais frequência para escolhar os temas dos posts aqui no blog.

enviado por Marcos V.

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Vive la Révolution!

14 / 11 / 2007   educação, política* 1 comentário

Os leitores daqui já sabem que esse assunto me interessa. Essa semana fui surpreendido por um adolescente “me informando” que o periódo do terror não havia sido tipo asssim tão terrà­vel. -Como é, meu filho?! -É, eu fiz um trabalho sobre a revolução francesa na escola e agora tô entendendo muito melhor.

O galocha aqui resolveu consultar algumas dessas preciosas referências e encontrei essa pérola na wikipedia. Abaixo trecho de dois parágrafos consecutivos:

O là­der jacobino Robespierre, sancionando as execuções sumárias, anunciara que a França não necessitava de juà­zes, mas de mais guilhotinas. O resultado foi a condenação à morte de 35 mil a 40 mil pessoas.

Embora utilizassem o terror para combater a contra-revolução, os jacobinos não foram os sanguinários que muitos conservadores pintam. Eles cometeram muitos erros, provavelmente muitas injustiças em seus julgamentos sumários, mas defendiam a revolução

Agora eu entendo muito melhor! Tolo que sou. Claro que mataram mais de 40 mil pessoas, mas, vejam bem, eram porcos contra-revolucionários, ou seja, não prestavam, mereciam morrer. Uma coisa é querer ganhar dinheiro em cima do trabalho dos outros (pagando salário). Péssimo. Terrível. Monstros girondinos (a direita e o centro). A outra é matar quem discorde de nós (nós somos a esquerda). Afinal, como se sabe, somos bem intencionados e puros de espí­rito. Genocidas, mas bem intencionados.

Cuidado, seu filho pode estar sob a tutela de um manco moral, apoiando-se em um cotoco canhoto que justifica todas as pauladas.

-Ahh, mas são pauladas para um mundo melhor!

Agora entendi. Vive la Révolution!

enviado por Marcos V.

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