Aviso aos navegantes: esse artigo não possui relação com blogar. Além de estar mais longo que de costume.
Eu confesso: não tenho vocação pra comunista. Sei que alguns devem estar clamando - eu avisei que ele é um porco nojento e insensÃvel! - mas fazer o que… Não tenho e nunca tive por mais de um mês e… -Opá! - Calma, é razoável supor que também fui um adolescente. A questão é que nesse mês resolvi me entregar a três estudos: a revolução francesa, o manifesto comunista e o primeiro volume do capital. Grosso modo, não aceito assassinato como instrumento polÃtico e não quero ser um e nem ser governado por um “proletário ditador”.
Adolescente que fui, tive aulas de história. Minha querida professora Tânia ( e aqui não há ironia, gostava mesmo dela ), fundadora de um partido que agora encontra-se no poder da Terra Tupiniquae. Professora, dou-lhe o crédito de que à época a metamorfose desses lÃderes ainda não estava completa. Eram loucos, mas não isso que se tornaram. Voltando, sempre no estilo história crÃtica, debatÃamos os acontecimentos históricos sob uma perspectiva Marxista. Resumidamente: o que interessa é o capital, a grana, a bufunfa. Concordo (aliás, a análise histórica do Capital é genial), mas por influência do nonno também já lançava meus primeiros olhares em figuras como Hegel e Freud. A diferença entre as duas formas de olhar o mundo? Bem, os reis gregos podem declarar guerra a Tróia para obter o controle de um estreito e da passagem de mercadorias, mas o homem comum grego foi à luta para resgatar Helena, rainha de Esparta, a mais bela mulher do mundo! Foi à guerra para satisfazer suas fantasias. Claro que a perspectiva de ganho com o saque da cidade também seduz.
Aqui vale um esclarecimento, essa história transcorre na segunda metade da década de 80. Estavam no poder o ditador chileno Augusto (Arghh!) Pinochet e o cubano Fidel (Arghh!) Castro. Ao final da aula sobre os governos latino americanos devÃamos escrever um texto comparando esses dois governantes. Claro que a maioria da turma enalteceu os ganhos sociais promovidos pelo cubano e sentou a pua no chileno. Fiz um pouco diferente, dei marretadas nos dois (como já disse, não gosto de ditadores e ditaduras) e comecei a analisar a professora. Terminei o texto afirmando que, ao contrário dela, eu gosto dos cubanos tanto quanto dos chilenos! Assim mesmo, com exclamação e tudo.
Na aula seguinte ela me perguntou de onde tirei a idéia de que ela, justo ela, não gostava de cubanos. -Fessora, a sra. disse isso. -Eu? Quando?! -A sra classificou de assassinato, e com razão, a morte de cada pessoa no estádio nacional do Chile, mas sempre enalteceu os ganhos sociais para cada morte no paredón.
Ela me olhou com daquele jeito amoroso e compreensivo de quem lida com adolescentes todos os dias e disse que eu tinha razão e não tolerar ditaduras, ganhos sociais podem, e devem, vir acompanhados de liberdade.
Tá mas por que esse texto? A maioria deve ter ao menos ouvido falar do texto do Ali Kamel sobre o livro didático “Nova história crÃtica” , Nele ensina-se, entre outras pérolas, que a revolução cultural de Mao Tse Tung “Foi uma experiência socialista muito original. As novas propostas eram discutidas animadamente.” Humm, esqueceram de dizer que esse “ânimo” de Mao levou 70 milhões de pessoas à morte. Há vários artigos por aà explicando melhor essa loucura atemporal. Só queria pedir aos pais que verifiquem os livros escolares dos filhos. E se estiverem utilizando alguma sandice como essa, digam a eles que por mais carismáticos e apoixonantes que sejam os ditadores, nenhum bom discurso vale uma única vida.






[...] Para quem gosta de chilenos E cubanos [...]