as meias do soldado romano e o debate sobre blogs no estadão

02 / 09 / 2007   blogosfera, mídia

atualização: eu sei que não era a Bruna Surfistinha no debate, era pra aparecer entre aspas, uma alusão à profundidade, tipo assim, da participação. Mas faltaram as aspas e portanto crime cometido. O Cardoso sugeriu minha morte lenta por conta disso, provavelmente bem merecida. Apenas um último pedido: mande a própria Bruna pra fazer isso. “Tipo assim”, não a surfistinha pelo amor de Zeus!

atualização 2: eu sou uma besta mesmo, agora ficou mais claro o motivo da confusão, era pra ter saído assim: Bruna “Surfistinha”. É Cardoso, acho que o coisa ruim vem me puxar pelo pé mesmo.

A talent fez para o estadão uma campanha muito bem humorada com o mote “quem está por trás do site que você acha bom?”. Eis algumas fotos. Pois bem, uns tantos blogueiro se sentiram atingidos e começou um rebu tipico dos mundinhos. Qualquer mundinho.

Dado o ti-ti-ti, os caras chamaram alguns “intelectuais”, uns blogueiros, jornalistas e, é claro, a Bruna “Surfistinha” Bruna “Surfistinha” prá debater o tema. - Uma explicação, deixei a Bruna aí no cantinho da frase porque foi essa a posição preferida dela na tertúlia (sem nenhum duplo sentido), ficar de lado. -

Tem gente que já comentou bem esse assunto, os participantes Interney e Merigo, o Cardoso e outros tantos. Nesses textos há um monte de observações sobre técnicas de debates, propostas de comportamente, como repercurtir, etc… Tudo ótimo, mas há houve um consenso no debate (e nos artigos) que me incomodou. Todos concordaram que quase tudo que se produz na blogosfera é lixo. Houve interrupções afirmando que as mídias tradicionais também produzem muito lixo. O Cardoso vai além e diz que 90% do que a mente humana produz é lixo, tese com a qual concordo, e que a blogosfera não seria um nicho de excelência.

Um tal professor da USP, desculpem-me mas não vou voltar à página do debate pra “catar” o nome do sujeito, fez uma piadinha, que deve ter achado muito engraçada afinal repetiu umas cinco vezes, sobre qual seria o interesse do sujeito que posta em seu blog algo sobre suas férias com o cachorro em Florianópolis. E ainda adjetivou a internet de “lixolândia”. Uau, que original! Nunca tinha ouvido essa!

Entre os meus 438 interesses simultâneos está a arqueologia, particularmente o período romano. Há uns anos foi encontrado na inglaterra um acampamento militar de uma divisão bretã dos romanos e, entre os restos estavam os pertences de um soldado. O que provocou grande alvoroço foi uma carta enviada pela esposa na qual contava-se as novidades, pequenas novidades familiares sobretudo, e enviava junto um par de meias para que ele aquecesse os pés. Há ouro arqueo-antropológico aí, ficamos sabendo que havia sim comunicação entre a soldadela e suas famílias, troca de bens, etc…

Agora vamos imaginar que tal carta caísse nas mãos do contemporâneo Virgílio, provavelmente o grande poeta, autor da Eneida consideraria aquilo um lixo. A beleza está nos olhos de quem vê, o chavão está correto. Para os arqueólogos aquilo era algo inédito, para quem viveu em 50 A.C. era o “feijão com arroz”.

-Tá, e a praia em Floripa? Um mundo deste tamanho aproximado pela internet é como a máquina do tempo na carta do soldado romano, o que é trivial pra uns é algo inédito pra outros. O que é lixo lá pode ser ouro pras minhas próximas férias. Um blog contando o dia a dia de uma mulher iraniana pode me mostrar um novo universo.

-Ei, mas você disse que 90% do produzimos é lixo. Está se contradizendo! - É lixo pra mim, pra minha estreiteza.

E pra terminar, parece que vai esfriar, vou dormir de meias.

enviado por Marcos V.

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9 Comentários »

  1. Comentário de Edney Souza — September 2, 2007 @ 12:20 pm

    Nos comentários do meu texto rolou essa conversa sobre ‘o que é lixo?’ O que eu considero lixo vc pode não considerar e vice-versa.

    No final das contas acabou sendo mais um falso consenso do debate.

  2. Comentário de Marcos V. — September 2, 2007 @ 12:38 pm

    Edney,
    Devo dizer que assistindo ao vídeo fiquei decepcionado com o seu desempenho, nada parecido com seus textos que eu tanto admiro. Ficou claro, na sua própria avaliação, que as coisas não sairam como esperava. Não estou afirmando que eu ou qualquer outro teríamos nos saido melhor, até porque aquilo foi uma arapuca, ficou um terrível clima “nós e eles”. Só pra constar, “nós” são eles, os bons, belos e justos. “Eles” somos nós, a ralé.
    Há algo assustador nesse conceito do “lixão cultural humano”. Toda vez que a sociedade começa a bradar sobre o lixo produzido, aparece alma elevada pronta pra nos dizer o que devemos consumir. O que é realmente bom pra nós. Em outras palavras, censura.
    []s.

  3. Pingback de Pai Cardoso prevê a morte horrível de um blogueiro — September 2, 2007 @ 2:22 pm

    [...] Aí mizifio Marcos que não tem amor à vida diz no texto: [...]

  4. Comentário de Cris — September 2, 2007 @ 8:05 pm

    Sensacionale!
    Levantei exatamente essa bola lá no debate do Edney!
    O que é lixo?

  5. Comentário de Carlos Merigo — September 2, 2007 @ 8:52 pm

    Marcos V., você é um merda.

    Você começou um blog ontem, portanto deveria ser mais responsável nas suas “alusões”. Aliás, porque não compara a senhora sua mãe a Bruna Surfistinha?

    Ao invés de mandar a Bruna, eu mesmo vou me mandar para preparar sua morte lenta.

    Não gostei do debate? Tadinho, da próxima vez vai lá falar. Vai ser bom, porque nos encontraremos ao vivo.

    Seu merda.

  6. Pingback de Webcétera - Blog profissional - Problogging - Dicas e Conceitos — September 2, 2007 @ 11:40 pm

    [...] defender uma tese? Utilize a dissertação. O Merigo compreendeu essa aula na escola. De forma geral, é composta de três partes. Vamos a [...]

  7. Pingback de Webcétera - Blog profissional - Problogging - Dicas e Conceitos — September 2, 2007 @ 11:42 pm

    [...] merigo, nos comentários . O dele está em [...]

  8. Comentário de Bruna CALHEIROS — September 5, 2007 @ 5:35 pm

    Não deveria nem me dirigir a palavra a uma pessoa que se sente superior às outras, mas pelo visto, só virtualmente e nesse pequeno blog. Não te conheço, nunca te vi, nem ao menos sabia da sua errônea existência no mundo, mas pelo visto de alguma forma te encomodei. E se isso aconteceu resolva seus problemas comigo, como um homem que severia ser e não como uma criança escrevendo no seu lindo diárinho virtual. Difamar uma pessoa sem ao menos conhecê-la? E o que te faz melhor que alguém nesse mundo? Nem que não seja comigo, que seja com a Raquel, valores? conceitos morais impostos pela sociedade? Você realmente acha que ela se importa com isso? Não te conheço e nunca quero te conhecer, mas pelo que vi você não é melhor do que ninguém não, muito pelo contrário. Fazer piadinhas? Faz piada com sua mãe, com seu cachorro, com seu filho (nessa idade lamento se não tiver um, e se tiver, lamento por ele ter um pai como você). Ia te escrever um e-mail, mas você não vale um e-mail. Utilizo os comentários para me distanciar de uma pessoa como você. Por favor, nunca mais dirija sua palavra a minha pessoa. Arrume um site para programar, uma HP para brincar e aproveite e calcule daqui a quantos anos você será uma pessoa digna. Comentários maldosos e preconceituosos são de longe algo respeitoso. Tenha uma boa vida.

  9. Comentário de Marcos V. — September 6, 2007 @ 9:22 am

    Darwin certa vez disse que do seu livro só conseguiam lembrar da parte do homem e do macaco.

    “Não deveria nem me dirigir a palavra a uma pessoa que se sente superior às outras”, “Difamar uma pessoa sem ao menos conhecê-la?”,”que seja com a Raquel, valores?”,”Você realmente acha que ela se importa com isso?”

    Difamei? Peraí, vou ver se consigo entender. Você acha que foi comparada com a profissional “Bruna Surfistinha”? Então sugiro que leia o texto novamente. Quanto à Raquel Pacheco não tenho por ela outro sentimento que não seja admiração. É preciso muita coragem pra se assumir publicamente como ela fez. Veja esse exemplo hipotético, uma moça de classe média que acredita não podermos imputar nossos valores aos outros (tese com a qual compartilho) sente-se profundamente ofendida quando acredita ter sido comparada a uma outra moça, também de classe média, que ousou escancarar as contradições entre a sociedade o conjunto de valores judaico/cristão que a rege. Não, não acho que seja ela quem se importa com “isso”. Só pra constar, do blog dela, que fui ler esses dias, nada a dizer, que não sejam coiass boas, sobre a forma.

    Superior, eu? Não, superiores são aqueles que ao se sentirem atacados por algo que escrevi tecem comentários envolvendo mãe, filhos e até o cachorro. Requer extrema altivez pra fazer isso e sair de cabeça erguida.

    “Tenha uma boa vida”. Obrigado e igualmente.

 

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