Blogando com “bom senso”

16 / 05 / 2007   Blogar

Tive um professor na faculade, no curso de Termodinâmica II que sempre dizia, durante os exercícios ou provas, que deveríamos utilizar o bom senso. Quando vinha essa frase eu já sabia: seria uma desgraça! Cada um seguiria por uma linha diferente.

Provavelmente estavamos todos certos, afinal bom senso é uma técnica que desenvolvemos ao longo da vida para evitar acidentes (pessoais, profissionais, amorosos, etc…), portanto cada um tem o seu. O que parece muito razoável a alguém certamente seria loucura para outro. Vou exemplificar.

Tenho um amigo italiano que outro dia veio nos visitar em São Paulo, ficou conosco até umas 23hs quando resolveu voltar para o hotel. Já fui levantando para dar uma carona e ele mais que prontamente disse que não precisava, tinha vindo de ônibus até a minha casa e que o ponto “é logo alí”, etc… Eu moro em uma região não muito afastada mas que costuma ficar desértica à noite. Para ele é bem razoável andar uns 800m e esperar sozinho pelo ônibus, para nós, nativos de uma das cidades mais violentas do mundo, é loucura.

Esse post foi inspirado a partir de um comentário muito pertinente do Vinícius no artigo sobre o código de conduta do estadão. Pra quem não leu, escrevo lá que o tal código dos blogs do estadão (jornal O Estado de São Paulo) refere-se ao comportamento dos comentaristas, algo como -Quer deixar um comentário? Então siga essas regras.- Diz que não se deve xingar, caluniar, mentir, etc… Como bem lembra o Vinícius, aplicar o bom senso ao deixar os comentários.

A questão é, dá pra confiar no bom senso das pessoas? Não, infelizmente não. Até porque se alguém deixa em seu blog um comentário calunioso cabe um processo onde o blogueiro será arrolado por responsabilidade solidária. Ou seja: -Você abriu espaço para esse maluco escrever um monte de mentiras? Então é tão responsável quanto ele.-

O que o código de conduta faz não é eximir o portal de responsabilidade, até porque isso não é juridicamente possível, mas demonstrar que o blog é “tão vítima” quanto o caluniado.

Apesar de ter terminado o artigo sobre o código de conduta com “exercitar o bom senso”, acho que devo me corrigir. O melhor é se prevenir da falta de bom senso e/ou responsabilidade alheia.

enviado por Marcos V.

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