a farsa do blog

09 / 04 / 2007   Blogar, internet, marketing

recebi uma mensagem perguntando se não vou comentar o relatório da technorati sobre o “estado da blogosfera”. Ainda não, por uma razão que considero ehmmm… razoável. O resumo do relatório pode ser lido nos canais de tecnologia dos portais e nas revistas info da vida. O que eu quero é trazer o que normalmente não vem nas manchetes mas que é igualmente interessante. Vou dar um exemplo com um fato apresentado no relatório da Edelman (em conjunto com a technorati) do ano passado. Não é notí­cia fresca mas acho improvável que alguém tenha lido na grande mí­dia, eu não vi. Vamos ao caso.

Blogs no japão são um fenômeno muito maior que em qualquer outro lugar, o relatório de 2006 indica 33% dos posts no mundo em japonês (no de 2007 já há mais posts em japonês do que em inglês), isso é impressionante porque são menos de 130 milhões de falantes de japonês no mundo contra mais de 1 bilhão falando inglês e só os EUA possuem o dobro de internautas do Japão -e dai? essa informação tá em todo lugar- eu sei, eu sei, já vou ao caso que interessa. No meio do relatório há uma série de consultores de cada paí­s comentando os dados. No do Japão, Takashi Kurosawa, consultor local da Edelman, fala sobre blogs corporativos e conta que empresas como Nissan, Sharp e Nike foram bem sucedidas na utilização dos blogs como ferramenta de marketing. Eis que a Sony resolve dar o pulo do gato. Quando lançou o MP3 Walkman, alguém surgiu com uma idéia genial: que tal criar um blog de uma garota, Pinky, contando suas aventuras e desventuras, sempre com o aparelhinho no meio das histórias. Não fui irônico, não, achei a idéia muito boa mesmo. O problema é que os leitores começaram a desconfiar das discrepâncias nos posts e logo ficou claro que não havia Pink alguma e era o próprio pessoal da Sony que alimentava a página. Uma informação preciosa que a companhia não conseguiu manter em segredo.

Vamos divagar um pouco. Que tal se a Sony contratasse uma bela estudante, com aquele sorriso gracioso tí­pico das japonezinhas e, discretamente, bancasse as aventuras dela pelo paí­s e mundo. Sempre, claro, com os fones no ouvido. Daria pra incluir ví­deo, fotos, sons, etc… não tenho a menor dúvida que seria uma peça de marketing das mais bem sucedidas. Faltou apenas uma coisa ao projeto original: veracidade.

As pessoas até aguentam uma verdade xoxa, mas ficção travestida de verdade geralmente causa revolta. E nos blogs, principalmente os corporativos, a mentira tem pernas curtí­ssimas.

Em alguns dias volto com o relatório desse ano.

enviado por Marcos V.

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